Pedro Luis Barreto Litwinczuk, conhecido como Pastor Pedrão, ficou nacionalmente conhecido ao celebrar o casamento de Eduardo e Heloísa Bolsonaro, no Rio. Agora, Pedrão também tem recebido elogios por ir na contramão de muitos dos pastores evangélicos, que têm contrariado a recomendação da ciência e da medicina e defendido o fim do isolamento.

“Pastor que prega contra o isolamento se preocupa mais com arrecadação que com fiel. O que me chama atenção é que pastor deveria zelar pelas suas ovelhas. Não vou expor meus membros e dizer para eles saírem de casa”, analisou sem citar nomes de pastores que estão com essa conduta, a exemplo de Silas Malafaia.

Segundo Pedrão, as igrejas que atendem pessoas mais carentes são as mais preocupadas com a queda da arrecadação. Segundo ele, na Igreja Universal do Reino de Deus, o prejuízo tem sido grande.

“Tem gente que acha que tem que entregar o dízimo presencialmente na igreja, porque lá Deus está vendo, então a doação do membro é maior. Na Igreja Universal do Reino de Deus, a arrecadação é principalmente presencial. Em igrejas de comunidades mais simples, ela estão padecendo. Esse membro não tem conta em banco, ou não sabe fazer transferência on-line, ou a pessoa não tem internet para assistir uma live”, avalia.

Pedrão pondera que esta não é a realidade dele. A Comunidade Batista do Rio fica na Barra da Tijuca, bairro de classe média alta do Rio. Sua igreja funciona num shopping. A rotina durante o isolamento tem sido em frente a uma câmera, totalmente virtual.

“Eu defendo que as pessoas fiquem em isolamento. Faço live todo dia e digo isso. Estou com o culto on-line, transmito virtualmente como se estivesse em um estúdio. É complicado olhar para a câmera e não sentir a reação das pessoas, mas faço para cada culto um cenário. Fiz uma do terraço do meu apartamento. Os membros veem que o pastor está ralando. Como igreja, procurei não mudar a rotina dos caras. Faço estudo sistemático com eles, não falo só de coronavírus, como outros pastores. Os temas são os mesmos que eu trataria na igreja. As pessoas seguem contribuindo com o dízimo, agora só on-line, que já existia antes, com o presencial”, conta.

O pastor tem se preocupado com alguns relatos que tem ouvido dos fiéis, principalmente sobre o impacto psicológico.

“Acho que tinha que ser pensada uma maneira de não se perder o senso de normalidade. Em alguns lugares, as pessoas estão ignorando a quarentena. A falta de definição de data para flexibilizar o isolamento contribui para isso. As pessoas estão passando por uma barra muito grande, com traumas psicológicos. O filho de um conhecido meu está com medo de sair de casa, outra menina acha que tudo fora de casa é sujo. Ninguém está preparando as pessoas para depois, e elas estão ansiosas, deprimidas”, lamentou.