O júri de Weider Roberto da Silva Elleres, de 24 anos, acusado de matar o avô, Sebastião Itamar da Silva Elleres, 77 anos, em janeiro de 2018, definiu que o réu, que está preso desde a época do crime, deve cumprir 20 anos de reclusão. A pena base aplicada foi de 30 anos por homicídio qualificado, mas foi reduzida em um terço a partir do reconhecimento dos jurados da condição de semi-imputabilidade do jovem, atestada por meio de laudo psiquiátrico. Semi-imputabilidade é a condição da pessoa que não tem a plena consciência ou está temporariamente incapaz, mas não é isento de pena ou medida de segurança.

A fase de debates do júri foi realizada na manhã desta segunda-feira (16). Quatro testemunhas do Ministério Público do Estado do Pará (MPE) e defesa estavam previstas, mas foram dispensadas. O policial que prendeu Weider prestou declarações ao júri. O réu, que à época do crime confessou a autoria para a sua mãe, foi mantido em uma sala ao lado do júri.

Em interrogatório atual, o neto disse não lembrar do crime. O defensor público responsável pelo caso, Rafael Sarges, ao se manifestar, exibiu o depoimento da mãe do acusado, Giselle Mariana, que relatou que teve o filho aos 13 anos e que o pai de Weider, por ter mais recursos financeiros, o tirou dela, mas que, quando o filho completou 13, o genitor o abandonou na casa do avô. Ele ainda argumentou que, em seu entendimento, não se aplicaria ao caso qualificadoras e requereu que jurados votassem pelo homicídio simples – e não qualificado.

Sebastião, de 77 anos, era avô do acusado
Sebastião, de 77 anos, era avô do acusado (Reprodução)

O promotor de justiça Edson Augusto Souza, por sua vez, sustentou a acusação de homicídio qualificado pelo uso de recurso que tornou impossível a defesa da vítima.

Por maioria dos votos, os jurados reconheceram que o réu foi autor do crime de homicídio qualificado, mas a pena foi reduzida em um terço pelo reconhecimento da semi-imputabilidade do acusado. Na sentença, o juiz Raimundo Flexa, presidente da sessão do júri, determinou o  cumprimento da pena no hospital penitenciário. 

ACESSO DO PÚBLICO NO PLENÁRIO DO JÚRI

O acesso do público no plenário do júri ficou restrito a alguns familiares da vítima e do réu, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de prevenção da contaminação pelo Covid-19 (Coronavírus). A recomendação da portaria da presidência do Tribunal de Justiça foi estabelecida na última sexta-feira (13).

O CRIME

O corpo do idoso Sebastião Itamar da Silva Elleres foi encontrado em sua residência, no dia 05 de janeiro de 2018, na rua Alenquer, no bairro da Cidade Velha, após vizinhos chamarem a polícia ao sentirem um mau cheiro que vinha da casa. O corpo, que apresentava marcas de arma branca (facadas), já estava em estado de decomposição quando foi achado. Ele foi morto dois dias antes.

De acordo com as testemunhas, Weider Roberto da Silva Elleres, neto de Sebastião, havia discutido com o idoso na semana do crime. Ele também já teria agredido o avô em outras ocasiões e o motivo para as discussões frequentes seria o envolvimento do neto com drogas.

No dia seguinte ao que o corpo foi encontrado, 06 de janeiro de 2018, o jovem, à época com 22 anos, foi preso. A própria mãe foi quem chamou a polícia e fez a denúncia, após o filho confessar a autoria do crime. Os policiais apresentaram o suspeito na Divisão de Homicídios. Ele fez exame de corpo de delito, que constatou os dedos do suspeito feridos da faca usada no homicídio. Ele foi preso e segue em reclusão desde então.

Marcas da faca utilizada para o crime na mão de Weider, neto da vítima
Marcas da faca utilizada para o crime na mão de Weider, neto da vítima (Ascom Polícia Civil)

Fonte:O Liberal.