A internet acelerou o processo de comunicação entre as pessoas e ao mesmo tempo trouxe uma avalanche de informação. A velocidade com que as notícias de espalham aceleram nas redes sociais aceleram ainda mais esse processo. O processo eleitoral levanta o debate sobre o perigo de disseminar informações falsas na internet.

De acordo com o cientista político Rodolfo Marques, fake news, são informações divulgadas para confundir, que têm o contexto da desinformação associado à ideia de infodemia, ou seja, o excesso de informações falsas. “Essas informações falsas geram um desconforto e, eventualmente, levar os receptores da mensagem a ter um comportamento inadequado, criar valores diante de princípios de não correspondem à realidade”, definiu.

Dentro de um processo eleitoral, a fake news pode gerar uma decisão baseada em fatos equivocados, segundo o pesquisador. “Por exemplo, se uma pessoa divulga uma notícia difamando um candidato rival ou um partido e feita uma distribuição do conteúdo com muita rapidez, principalmente através das plataformas digitais, é possível afetar um resultado eleitoral a partir do momento que as pessoas acreditam naquela fonte de informação. Então a fake news tem esse poder de levar as pessoas a tomarem decisões incorretas”, explicou Rodolfo.

A Justiça Eleitoral tem um programa de enfrentamento à desinformação, específico sobre as eleições 2020. O espaço é dedicado para esclarecer dúvidas de eleitores. Os conteúdos são para fins educativos, de aperfeiçoamento jurídico, tecnológico, checagem e combate à desinformação.

Para evitar que a divulgação da fake news tome grandes proporções nas eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alerta que o cidadão tem um papel importante de denunciar irregularidades no processo eleitoral. Os canais permitem que sejam feitas denúncias de notícias falsas sobre a realização da eleição, orientações para o dia da votação, resultados, entre outros assuntos.

O eleitor pode fazer denúncias pelo aplicativo Pardal, ao Ministério Público Eleitoral e às Ouvidorias da Justiça Eleitoral.

Podem ser noticiadas ao Ministério Público Eleitoral (MPE) irregularidades que ocorrem no período das eleições ou fora dele, em âmbito nacional, estadual e municipal. Ao identificar um ato de corrupção eleitoral, o eleitor deve ter provas, incluindo fotos, vídeos, áudios, etc, e informá-las diretamente aos procuradores regionais eleitorais ou aos promotores eleitorais. Esse processo pode ser feito pelo preenchimento de formulário eletrônico

Para denunciar à Justiça Eleitoral práticas eleitorais irregulares,  a população pode entrar em contato com a Ouvidoria do TSE ou do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). As denúncias dos eleitores podem ser encaminhadas à Ouvidoria, mediante preenchimento do formulário eletrônico.

O Senado já aprovou, em setembro, o Projeto de Lei 2.630/2020, definido como Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, que busca combater o crescimento das notícias falsas. O texto aguarda análise pela Câmara dos Deputados. A ementa estabelece normas de transparência de redes sociais e de serviços de mensagens privadas.

Identificando uma fake news

O cientista político dá dicas de como não ser enganado por esses conteúdos. O primeiro passo é verificar a fonte. “Se você receber um conteúdo via whatsapp, verifique se aquela informação está em algum canal de comunicação como TV ou portal de notícias”, recomendou.

Fazer uma análise crítica da informação é um segundo momento de avaliação, segundo Rodolfo. “É preciso se perguntar até que ponto aquilo pode ter um fundo de verdade, principalmente aquelas informações que são absurdas, mas que muitas vezes as pessoas acreditam e até repassam a informação”, disse.

Por último, evitar a disseminação. “Ao verificar que aquela notícia não corresponde à realidade, não reencaminhe o conteúdo, considerando que não é verdadeiro. Caso você confirme que a informação for falsa, é importante alertar a pessoa que mandou a informação, identificando que aquela notícia não é verdadeira e que isso pode disseminar um comportamento ruim de algumas pessoas”, concluiu.   

Cheque a informação!

A necessidade de ter plataformas que tenham a função de checar as informações se tornou fundamental diante dos impactos das fake news. Sites que analisam as notícias mais compartilhadas e checam os dados como Boatos.org e Aosfatos são exemplos de espaços dedicados à verificação de informações.