A pandemia da covid-19 afetou todos os setores da economia, inclusive, o segmento de transportes de passageiros. A diretoria do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel)  afirma que mesmo com a reabertura das atividades comerciais na capital paraense e Região Metropolitana, as empresas continuam com cerca de 25% de redução de passageiros e uma enorme perda financeira.  De acordo com o diretor de Operações do Setransbel, Natanael Romero, no mês de outubro, em que se realiza o Círio de Nazaré em Belém, todos os anos as empresas de ônibus de Belém praticamente dobram o volume de passageiros. Por causa da pandemia, neste ano nem chegou a 10% do movimento, já que o Círio 2020 foi realizado de forma virtual e com poucos eventos. Até março, a movimentação diária de passageiros nos coletivos urbanos da capital e RMB chegou há mais de 900 mil pessoas. Em 16 de março, dia com maior movimentação registrada neste ano de 2010, foram contabilizadas pelo Setransbel 905 mil pessoas utilizando os ônibus urbanos na Grande Belém.  No pico da pandemia, entre os meses de abril a junho a movimentação de passageiros despencou, especialmente no período em que o governo estadual instituiu o lockdown – paralisação das atividades consideradas não essenciais – na RMB e outras regiões do Estado.  Maio foi o mês de maior prejuízo para os transportes de passageiros, apenas 27% da movimentação, considerando o movimento de 100% até a primeira quinzena de março (como mostra o quadro abaixo).  Apesar da recuperação de parte do movimento, as empresas de ônibus da Grande Belém  registraram que a marca não ultrapassou 75% dos usuários transportados anteriormente à pandemia.  

Fonte: SetransbelEmpresas se recuperam muito lentamente mesmo com a redução da pandemia

Segundo Natanael Romero, a recuperação do setor, apesar da reabertura das atividades está sendo muito lenta. Ela assegura que as empresas de transportes de passageiros urbanos estão afetadas profundamente com a pandemia. Tanto que uma delas, a Vialuz, já fechou as portas, pois já enfrentava problemas financeiros, com as restrições não suportou.

Apesar da redução da atividade na pandemia, Natanael Romero assegura que as empresas de transportes urbanos de passageiros da Grande Belém não fez demissões em massa, mantendo os trabalhadores, mesmo em condiçoes adversas. 

Atualmente, o setor emprega mais de 10 mil trabalhadores diretos. “Nós seguramos os empregos, solicitamos ajuda do poder público, que não houve. Ainda aguardamos uma resposta positiva do governo estadual, explica o diretor do Setransbel.

Ele ressalta, que o transporte público é essencial, não pode parar, por isso, o sindicato das empresas tenta negociar subsídios para o segmento, que seria uma forma de manter o serviço, sem prejuízo para as empresas. Ele cita estados como São Paulo e Amazonas, que fizeram acordo para subsidiar parte da folha de pagamento ou outros tributos, após o surgimento da pandemia da covid-19.

Ônibus refrigerado só será possível com tarifa subsidiada 

De acordo com Natanael Romero, a tarifa cobrada nos ônibus de Belém é considerada baixa (R$ 3,60) em relação a outras capitais brasileiras. Ele também ressalta, que 25% do total da movimentação são gratuidades em Belém, uma das maiores do país.

Com a queda acentuada na movimentação dos coletivos, as empresas foram bastante afetadas na pandemia e apesar da melhora ainda não se recuperaram. Romero ressalta, que 45% do faturamento do segmento são para folha de pagamento e outros 30% para combustível, por isso, o sindicato busca o poder público para negociar subsidiar a atividade, como uma das formas de rcuperação do setor nesta pandemia.

Em relação à refrigeração dos ônibus, reivindicação da população em uma região em que o clima está sempre acima de 30 graus, o diretor do Setransbel afirma que tarifa atual não suporta o serviço. 

” Para se ter ar-refrigerado nos ônibus de Belém teria que ter tarifa entre R$ 5 a R$ 5,50. Se tivesse subsídio para manter isso seria possível”, afirma, lembrando que a tarifa não foi reajustada este ano, se manteve o mesmo valor por causa da pandemia. 

Ele explica, que um ônibus refrigerado novo é comercializado mais de R$ 500 mil, enquanto os veículos coletivos comuns custam cerca de R$ 350 mil. 

19 empresas de ônibus urbanos atuam na RMB, com cerca de 2 mil ônibus, que circulam no centro e periferias da capital e outras cidades.

Coletivos devem permanecer com higienização contra covid-19

Durante a pandemia, Natanael Romero lembra que as empresas foram notificadas a cumprir com protocolos de segurança. “Fizemos higienização dos ônibus e ainda estamos fazendo com hipoclorito. Motoristas e cobradores ainda permanecem de máscara e durante o pico da pandemia foi mantido o número baixo de passageiros nos ônibus para garantir o afastamento necessário”, afirma.

Com a redução dos casos na RMB, foi liberado o aumento de passageiros nos ônibus urbanos. ” Sofremos bastante com o pico enorme, morreu muita gente, muita gente infectada. Continuamos com o protocolo e esperamos ajuda do subsídio do poder público”, reitera o diretor do Setransbel.

 Em 2021, a direção do Setransbel aguarda o fim do pandemia e reaquecimento do setor de transportes de passageiros. “A população ainda tem temor da covid-19. Vai demorar a normalizar, mas teremos que fazer um esforço de voltar à normalidade. Quando a vacina chegar as coisas vão melhorar, mas não serão como antes”, conclui Natanael Romero.