Um procedimento capaz de ressignificar vidas. A micropigmentação paramédica é uma técnica que ajuda mulheres, que venceram o câncer de mama, a recuperar a sua autoestima. A bibliotecária Rita Almeida, de 43 anos, foi uma dessas mulheres. Hoje, Rita se orgulha de si mesma e garante: não é apenas estético, mas sim uma busca pelo amor-próprio.

Depois do diagnóstico de câncer de mama, em 2017, a bibliotecária teve mede de morrer, ficar careca e sem seios.  Após a retirada da mama direita, olhar o reflexo no espelho se tornou algo desolador. “No período da cirurgia eu vivi o luto. Não olhava para a minha mama. Não queria ver nem aceitar. Me sentia menos mulher por ter a mama mutilada. Após a reconstrução do meu seio conheci o projeto ‘Transformando Vidas’ na qual fui agraciada este ano. No projeto fiz o procedimento estético que redesenhou a minha aréola e chegou praticamente à perfeição. Agora consigo me olhar no espelho e me sentir mulher. Posso até dizer que me sinto orgulhosa por tudo o que consegui passar”, afirmou.


Micropigmentação Foto: Arquivo pessoal/ Rosana Abreu

A micropigmentação é um procedimento indicado para reconstruir e disfarçar cicatrizes, aproximando-se ao máximo da cor natural da pele. A técnica é utilizada para o redesenho de aréolas e mamilos das pacientes após o tratamento de câncer de mama. Esse trabalho é desenvolvido por profissionais como Rosana Abreu, responsável pelo projeto no qual Rita participou, e que se dedica há quatro anos como micropigmentadora. “Eu resolvi seguir essa carreira depois de vi uma reportagem de TV há aproximadamente nove anos. O procedimento é feito no meu espaço onde atendo mulheres todos os meses. Hoje eu entendo que lido com almas, são mulheres que passaram por um procedimento muito doloroso e que eu consigo resgatar a autoestima e a autoconfiança”, declarou.

A especialista em oncologia e professora de enfermagem da UNAMA-Universidade da Amazônia Renata Lopes, explica que o câncer de mama é uma doença silenciosa e que é recomendada a realização da mamografia, a cada dois anos, na faixa etária dos 50 aos 69 anos. “A recomendação é que a mulher conheça o corpo dela, que tenha um hábito periodicamente de ir se olhando para que caso ela perceba uma alteração na mama, como um nódulo, algo na pele, sair líquido pelo mamilo ou o tamanho de mama maior que a outra. Qualquer alteração na pele ela consiga procurar um posto de saúde e iniciar uma investigação diagnóstica”, alertou. 

Cerca de 66 mil mulheres serão atingidas pelo câncer de mama no Brasil apenas neste ano, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O Instituto aponta ainda que o problema esse é um problema mais frequente entre mulheres em todo o mundo.

Em 2020, a campanha Outubro Rosa se torna mais importante. De acordo com a Fundação do Câncer, houve uma redução de 84% nas mamografias feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) durante a pandemia, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A especialista orienta mulheres a conhecerem o seu corpo e suspeitar de qualquer alteração. “A doença é muito agressiva e que mata muitas mulheres anualmente. A gente aproveita a campanha para sensibilizar todas as mulheres que estão ao nosso redor, sejam mães, irmãs, primas e conversar sobre a nossa saúde enquanto mulheres”, revelou.

Renata Glaucia elenca algumas ações que reduzem os riscos de ter a doença. “Tenha uma visa saudável. A alimentação é um fator essencial para isso. Coma frutas legumes e verduras e evite alimentos enlatados, excesso de açúcar. Aliado a isso, fazer atividade física também faz parte dessa rotina de vida saudável. Evitar o consumo de álcool e cigarro também são fatores que interferem nesse processo”, concluiu.