A sala de aula foi substituída pelo quarto, a carteira, pela mesa da sala ou cozinha, o quadro, pela tela do tablet ou celular, a verdade é que em 2020, a rotina dos estudantes, principalmente os do ensino médio ou cursinho pré-vestibular, virou de “ponta a cabeça” devido a pandemia do novo coronavírus. Há menos de 90 dias da primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece no dia 17 de janeiro de 2021, estudantes e professores se desdobram para poder aprender e ensinar àqueles que enfrentarão o processo deste ano.

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A realidade é que o ritmo de estudo ficou, como define o professor e pedagogo, especialista em Enem no estado do Pará, George Castro: deficitário. “A prova do Enem começa a ser pensada e elaborada ainda muito cedo. O exame ficou pronto no mês de maio, quando estávamos com um cenário da pandemia muito recente, não sabíamos que ela iria se estender por tanto tempo. Sendo assim, acredito que o exame seguirá a mesma linha dos anos anteriores, sem refrescar. A diferença aqui, neste contexto, é o preparo dos alunos que ficou deficitário, ou seja, os alunos tendem a achar a prova mais difícil que a dos anos anteriores, por conta desse afastamento da sala de aula, quando tinham o contato com o professor para tirar dúvidas e explicar melhor o conteúdo”.

Por conta do “novo normal” ter tirado o aluno da sala de aula e, feito com que ele embarcasse no mundo do estudo remoto, alguns deles improvisam como podem e, vão em busca de um universo de ensino virtual, que muitos chamam de “desafiador”, como destaca a estudante Juliana Nayde Tangerino.

A jovem de 20 anos prestará vestibular para Medicina e destaca que a maior dificuldade tem sido a adaptação. “Eu já venho me preparando para o Enem desde o ano passado, afinal de contas, passar em Medicina não é fácil. Precisa de muito estudo e dedicação, mas, este ano, devido tudo o que tem acontecido, esse afastamento da sala de aula é algo desafiador. Afinal de contas, existem matérias que, o contato com o professor para esclarecer e tirar nossas dúvidas é fundamental, coisa que em uma aula remota, não temos essa oportunidade e nem facilidade. Então, me adaptar a essa realidade tem sido muito difícil”.

Segundo o especialista, o aluno precisa ter organização. “Eu costumo dizer que o home office é um conceito que se estende para os alunos também, não somente para quem tem uma atuação profissional, para quem tem um emprego, sendo assim, é preciso que o estudante leve muito a sério essa rotina de estudos. Há quem diga, inclusive, que se o aluno reproduzir o seu dia a dia enquanto estava frequentando a escola, ele acaba encarando melhor essa mudança”.

Outro ponto que George destacou como forma de ajudar o aluno neste momento, é o “Método Pomodoro”, bastante utilizado por concurseiros. “O método Pomodoro é muito bem-conceituado e tem ajudado bastante quem precisa se adaptar a rotinas de estudos mais intensas, como acontece com os concurseiros, pois ele estimula o cérebro e não desgasta o estudante”.

Método Pomodoro

A técnica Pomodoro disponibiliza uma forma de divisão da jornada de estudo em intervalos de 25 minutos. No decorrer desses blocos de tempo, uma determinada tarefa deve ser realizada ininterruptamente. Ao fim de cada período, é feita uma pausa de 5 minutos e, ao final de cada 4 blocos de 25 minutos, uma pausa de 30 minutos.

“Às vezes acreditamos que ficar um dia inteiro estudando sem parar, vai nos fazer passar, nos tornar mais aptos ao exame, mas a verdade é que não é bem assim. Precisamos ter uma pausa dentro desse horário que disponibilizamos para estudar, principalmente quando são disciplinas de cálculos, onde temos que fazer um monte de formulas. Então, acaba que o método pomodoro ajuda para que não fiquemos mentalmente desgastados”, ressalta Juliana.

Local para estudo

De acordo com o especialista, o local onde você irá tirar esse tempo para pesquisas e estudo, é de fundamental importância, uma vez que, ele será o corresponsável por te “prender” naquele aprendizado. “Esqueça a cama e a rede, estudar deitado no chão, também não é recomendado. A melhor e mais adequada forma para se estudar, quando se está em casa, é sentado. Sente na mesa da sala, num escritório, na cozinha (desde que não tenha ninguém frequentando). O cenário que você vai estar, precisa ser aquele que mais te remeta à uma sala de aula. Isso irá ajudar o aluno na hora da concentração para se preparar para o Enem”.

Hábito de Pesquisar

Para o professor Luís Gustavo, de Biologia, já que o estudo saiu das salas de aula para as salas remotas, a internet, é fundamental que o estudante seja muito curioso para o lado da pesquisa. “O aluno precisa ter o hábito de vasculhar toda a internet e se enriquecer de conteúdo. Buscar vídeo aula, resumos de textos que caíram nos exames passados, procurar provas passadas e tentar fazer. Fazer um treinamento com provas anteriores, assistir vídeo aulas que abordem possíveis temas de Redação e praticar sempre. Redação é algo que o aluno precisa fazer todo dia e tirar dúvidas com colegas e professores que estão disponíveis para esse tipo e orientação”.

WhatsApp Image 2020 10 21 at 00.17.54Foto: Danielle Zuquim

Isso não parece ser um problema para Juliana que, sempre tem recorrido a um universo de assuntos disponíveis na rede. “Todos os dias eu pego provas de exames anteriores e fico resolvendo em casa. Às vezes, eu até imprimo uma prova inteira e simulo que estou realizando a mesma em uma sala de aula e com o tempo do Enem cronometrado, para não perder o foco e exercitar a minha mente para esse momento”.

Plano de Estudo

Outro ponto que o professor Luís destacou é a questão de organizar os dias da semana e os horários com relação ao plano de estudo, ou seja, que matéria estudar primeiro e quanto tempo esse aluno deverá levar em cada uma. “Eu costumo dizer que aprende melhor quem se organiza melhor, quem faz uma planilha para esse estudo. Tornar toda segunda-feira o dia de estudar Ciências Naturais, por exemplo, Linguagem às terças e assim por diante, para que no decorrer da semana ele tenha aquele calendário já separado e organizado para o estudo do dia. Isso ajuda bastante e não cansa o aluno”.

Para George, como especialista em Enem, é compreensível que essa rotina seja cansativa e muitas vezes até estressante, por diversos fatores que interferem diretamente nesse ritmo de estudo, mas, o aluno precisa tirar sua mente da problemática e focar na solução.

“Na minha casa sempre tem muita gente, mas graças a Deus consegui separar um espaço pra colocar meu material e estudar. Assistir as aulas e realizar tarefas, agora o que mais atrapalha é a internet. Tem dias que a conexão está ótima, mas tem outros que ela está péssima, aí isso acaba me atrapalhando um pouco, mas nada que me desestimule ou me faça adiar o meu estudo do dia”, frisa Juliana.

Emocional

Muitos estudantes ainda se encontram ou poderão estar com o emocional abalado para enfrentar o Enem, diante deste cenário de pandemia.

De acordo com a pesquisa “Juventude e Pandemia do Coronavírus”, realizada em junho deste ano, quase 50% dos jovens entrevistados pensaram em desistir do Exame.

Segundo o governo Federal, o Enem 2020 teve 6,1 milhões de inscritos.

“Inicialmente eu me desesperei quando percebi que estávamos vivendo uma realidade fora do comum. Pensei em desistir, mas depois, o medo e a insegurança foram passando e serviram de incentivo para que eu me esforçasse ainda mais. Hoje, acredito que meu emocional está mais tranquilo diante do momento que vivemos e me sinto preparada para as provas deste ano”, conclui Juliana.