As contratações temporárias na Região Metropolitana neste final de ano, que geralmente movimentam a economia local com a chegada das festas que ocorrem no período, devem ser 5% menores que nos anos anteriores, segundo pesquisa exclusiva do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados do Ministério da Economia. Devem ser feitas cerca de 4 mil contratações entre outubro e dezembro, contra as 4.200 do ano passado.

Na avaliação do supervisor técnico do Dieese, economista Roberto Sena, há uma conjuntura ainda muito incerta na economia paraense por conta da pandemia do novo coronavírus. “Um dos grandes indutores de crescimento da economia nesse período é o Círio de Nazaré, que, com seu novo formato, vai trazer impacto local”, comenta. Aliado a isso, há o cenário negativo na geração de emprego e também na inadimplência da população.

Em contrapartida, com a injeção de valores como o décimo terceiro e o auxílio emergencial, além dos saques do Programa de Integração Social (PIS) e do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), há expectativas de melhora em vários setores na Grande Belém. As contratações temporárias deverão ser feitas, principalmente, no setor de comércio (incluindo supermercados e shopping centers), serviços e na indústria, segundo o Dieese.

“Nós conversamos com o setor empresarial e o perfil das contratações poderá alcançar o período de até três meses, mas isso não será uma regra. Acreditamos que várias pessoas serão contratadas em cada mês, algumas apenas em dezembro. A explicação para que esse número não tenha caído mais após a pandemia é que envolve todas as contratações, e achamos que neste ano haverá muito do chamado trabalho intermitente, em que o empregador não chama alguém para passar necessariamente dois meses, pode chamar para uma semana ou para os finais de semana, dependendo da demanda. As eleições vão ajudar nesse equilíbrio, já que muitas pessoas conseguem empregos temporários no período de campanha”, explica o economista Roberto Sena

Representante da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belém (CDL), Álvaro Cordoval concorda. Em sua opinião, as contratações vão ocorrer, mas não nos mesmos níveis registrados anteriormente. “Por conta da pandemia do novo coronavírus, os empresários devem adotar um novo modelo de contratação, por menos tempo, mas isso não quer dizer que não haverá ocupação”, diz. O especialista acredita que o setor ainda consiga se recuperar este ano e que as vendas ainda devem crescer, gerando, assim, demanda de trabalho aos colaboradores.

O empresário Cláudio Noronha Filho, dono de três lojas em shopping centers, já está fazendo as contratações temporárias, mas apenas para o Natal. Segundo ele, o número de pessoas que serão chamadas para os estabelecimentos será um pouco menor que nos anos anteriores, porém, todas ficarão pelo menos 30 dias no trabalho.

“A demanda deverá ser menor porque todos aprenderam rapidamente a fazer mais com menos. Tivemos que otimizar mão de obra para conseguirmos sobreviver. Fora isso, novas tecnologias como as vendas pelas redes sociais aceleraram bastante suas evoluções e deverão ter papel fundamental nesse final de ano. Então, teve muito empresário que contratou gente especializada para esse tipo de venda e no final das contas o número de pessoas contratadas será parecido, mas as funções serão diferentes”, destaca o empresário.