O segundo ano da campanha Semana Brasil, em Belém, superou as expectativas do empresariado local diante ao cenário econômico de recessão, provocado pela pandemia da covid-19. O balanço das vendas ainda não foi totalmente fechado, mas estima-se que houve um aumento de 2 a 3% no volume, em relação ao ano passado. O índice que parece pequeno é comemorado pelos varejistas que acreditam que este faturamento vai na contramão da crise. Além disso, o evento, em 2020, se consolidou e entra definitivamente para o calendário do comércio em todo o País.

A campanha, promovida pelo Governo Federal em parceria com as associações ligadas ao varejo, iniciou no dia 3 de setembro e terminou no último domingo (13). No entanto, o fôlego maior no consumo foi na segunda semana, quando os consumidores passaram a ter conhecimento através das propagandas.

“Este ano, grandes lojas aderiram à programação, assim como todos os shoppings do Pará. Com a ampla divulgação das grandes lojas, as pessoas tiveram conhecimento e passaram a buscar os itens remarcados”, explicou Joy Colares, presidente do Sindicato dos Lojistas de Belém (Sindilojas).

Durante os 10 dias de promoções, alguns produtos tiveram desconto de até 60% do valor normal. “O consumidor que tinha alguma reserva e pode dispor dela conseguiu comprar com um bom preço. Os empresários que não aderiram ao evento tiveram um único motivo: não queimar o estoque. As grandes lojas foram as mais beneficiadas por terem mais mercadorias, em relação às pequenas”, avaliou Colares.

Sobre as vendas, o presidente do Sindilojas reforça que o balanço final ainda não foi fechado. “Só vamos ter os números reais da caixa registradora quando foi pago o ICMS, ou seja, no dia 10 do mês seguinte. No entanto, acreditamos que houve um aumento de 2 a 3%. No entanto, a intenção do varejo foi alcançada, pois houve procura e, assim, a programação se consolidou”, avaliou Colares.

O empresário Antônio Grelo Cabral, proprietário de uma papelaria localizada na travessa Vileta, no bairro do Marco, em Belém, aderiu à campanha pelo segundo ano, remarcando os produtos com descontos de 10 a 40%. “Diante do quadro geral de pandemia, as vendas não superaram as expectativas, porém o período promocional já está consolidado, diante da mobilização a nível de governo, incentivando o consumo, bem como com as grandes redes que aderiram ao enfeitar as lojas e colocar vários produtos em oferta, como forma de alavancar as vendas”, disse.

“Quanto às expectativas, falo do nosso segmento (papelaria) e não me refiro aos calçados, roupa, eletros e outros. Neste momento, o que eu posso afirmar é que a campanha se consolidou”, completou o empresário que foi um dos primeiros na capital a aderir à programação.

No centro comercial, aos poucos, os adereços com as cores da bandeira do Brasil foram retirados dos estabelecimentos. A vendedora de uma loja de confecções feminina, Nayana Gomes, disse que as ofertas foram colocadas apenas na última semana de programação, no entanto, o gás nas vendas só foi sentido nos três últimos dias. “As pessoas não tinham conhecimento e também estão com pouco dinheiro. Colocamos peças com descontos de 30 a 60% e a procura foi maior na quinta, sexta e sábado”, comentou.

Chamada de “Black Friday Brasileira”, a campanha foi inspirada no varejo americano e celebra os 197 anos de Independência do Brasil. O objetivo é que a data americana (novembro) seja antecipada para setembro, durante as comemorações da Pátria. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Álvaro Cordoval, avalia que, mesmo com o incremento nas vendas abaixo do estimado, a programação se consolidou. “Em um ano de pandemia, o movimento foi muito bom. Grande parte dos lojistas aderiram. Os empresários, agora, já estão com o período consolidado”, reforçou.