Termina no próximo domingo (13), a Semana Brasil, calendário incentivado pelo Governo Federal para dar fôlego às vendas após a quarentena em função da pandemia do novo coronavírus. Os representantes de setores do varejo e alimentação que apostaram na programação em Belém garantem que a procura aumentou, no entanto, o faturamento ainda está aquém do esperado. Por outro lado, os consumidores dizem que as ofertas não são tão atrativas para o bolso neste momento de recuperação econômica.

O evento criado no ano passado, na esperança de que a data entrasse no calendário anual de vendas do varejo, como ocorreu com a Black Friday, ainda não conseguiu dar vasão aos estoques e girar o capital, dado o fraco desempenho da economia brasileira. No centro comercial de Belém, a programação, que deveria vestir os estabelecimentos de verde e amarelo, mantinha, até quinta (10), uma mobilização morna com adereços dos brasileiros poucos visíveis.

“Não aderimos ao evento no início, remarcamos as etiquetas no sábado passado, mas as pessoas não compram com alto volume, como estávamos esperando”, comentou Joana Lopes, gerente de uma loja de confecção adulto e infantil, na rua João Alfredo. O estabelecimento está com descontos de 20% a 40% em peças da coleção antiga. “O objetivo, além de aumentar o faturamento, é de esvaziar o estoque parado desde março, devido a loja ter fechado nos meses de abril e maio”, explicou.

Como as vendas ainda não decolaram, nesta reta final, Diana Gomes, proprietária de uma loja de roupas e artigos feminino, também na João Alfredo, pretende dar um gás nas promoções. “Se o estoque não esvaziar e muita peça ficar à venda, vamos ter que aumentar o desconto. Na verdade, essas ofertas não são apenas para melhorar o faturamento, mas também despachar as mercadorias que ficaram encalhadas devido à pandemia”, destacou.

Diana baixou o valor de algumas peças em até 50%. Segundo ela, falta mais propaganda para incentivar o consumo durante o evento. “Muitas pessoas não sabem da programação e acredito que se houvesse mais divulgação como a do Black Friday, melhoraria. Outro problema que não podemos esquecer é que as pessoas não têm dinheiro. Elas estão recebendo o auxílio, mas o dinheiro é usado para emergências, como comida. Creio que o movimento igual ao de antes da pandemia volte em dezembro”, disse.

Consumo

A dona de casa Delma Lima, de 36 anos, estava no centro comercial na quinta. Ela foi atrás de peças de artesanato, mas aproveitou para ver as ofertas da Semana Brasil. “Os preços poderiam baixar mais um pouco pra gente levar”, brincou. “Os descontos estão razoáveis, diferente do Black, em novembro”, comparou. Delma acredita que poupar para comprar em uma promoção é uma alternativa para levar algo pra casa por um bom preço. “A melhor forma de comprar é à vista. Mas, não está dando nem mesmo para economizar. As despesas estão mais altas”, afirmou.

O comerciante Ezequiel Gomes, de 45 anos, também diz que não é momento para comprar o supérfluo. “Ninguém está poupando nada, ao contrário, estamos com dívidas, pouco dinheiro e a despesa aumentando. Levar algo apenas por estar na promoção é bom para quem está estabilizado”, acredita.

Entidade

O Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belém (Sindiloja), assim como outras entidades empresariais, aderiu à programação na capital. Segundo o presidente da entidade, Joy Colares, a data vem aliar o espírito patriótico da semana de 7 de Setembro com o crescimento do varejo.

Com a adesão baixa no ano passado, não há dados de quanto a programação injeta na economia local com as vendas. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), Roberto Sena, explicou que a entidade não fez nenhuma projeção neste sentido. “Houve um aumento na flexibilização dos produtos e consumo. As lojas estão com ofertas de 50%, 60% e até 70%, constantemente. Não há mais nada pontual. Mesmo com as pessoas perdendo renda, as campanhas ajudam nas vendas e movimenta a economia”, avaliou Roberto Sena.

Em 2020, o mote da campanha é “Todos juntos com segurança pela retomada e o emprego”. Como no ano passado, o evento ocorre em meio às comemorações da Semana Pátria, quando é celebrada a Independência do Brasil, no dia 7 de setembro. Iniciativa da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do Ministério das Comunicações, a Semana Brasil é coordenada pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e possui três pilares: colaboração, otimismo e oportunidade.