Josélino Ribeiro

Foram cinco meses de muita dificuldade. Acostumados a receber em média R$500 reais por quinzena com a venda do material reciclável, os trabalhadores da Associação de Catadores da Coleta Seletiva de Belém (ACCS) conseguiam lucrar no máximo R$50 durante o período mais crítico pandemia.

Essa foi a realidade de centenas de catadores das 12 cooperativas que realizam a atividade em Belém e duas em Ananindeua. Afetados diretamente pela pandemia da coronavírus, eles sobreviveram com as coletas porta-a-porta e com a solidariedade da população.

Dos mais de 500 parceiros geradores de material, a ACCS conseguiu coletar material, de março a agosto, apenas em algumas agências dos Correios. O restante era obtido nas residências, com muita resistência dos moradores. “Os catadores tinham que se afastar e aí o morador colocava o saco no portão e a gente pegava. Tinham alguns que nem nos atendiam”, relata a presidente da ACCS, Maria do Socorro dos Santos Ribeiro.

No barracão, no bairro Maracangalha, muitos trabalhadores do grupo de risco se ausentaram das atividades, reduzindo ainda mais o lucro. A ajuda para enfrentar a pandemia veio com as doações de parceiros e de pessoas que chegavam no local e distribuíam cestas básicas, alimentos e até dinheiro.

Com a retomada das atividades econômicas, em especial os shoppings e os cinemas, a expectativa é que o trabalho da coleta seletiva se normalize. No mês de agosto, a renda quinzenal na ACCS ficou em torno de R$ 350. “Nessa última quinzena tivemos sinal que as coisas estão melhorando. Nossos grandes parceiros geradores estão voltando aos poucos e com certeza a nossa situação também vai mudar”, diz otimista a catadora.

Em Ananindeua, a Associação Cidadania para Todos, que reúne 25 trabalhadores, deixaram de coletar cerca de 40 toneladas/mês de material reciclagem nos primeiros cinco meses de pandemia. Com o fechamento do comércio, a redução no rendimento da ACT foi drástica. Nas duas últimas semanas, o trabalho dos catadores aumentou. “Os grandes geradores fecharam as portas ou reduziram o quadro de funcionários. Sobrevivemos do pouco que arrecadávamos no porta-a-porta. Na segunda quinzena de agosto o cenário começou a mudar”, conta a catadora Maria de Araújo, da ACT.  

Além dos parceiros, os catadores também contam com as entregas voluntárias mantidas pela Prefeitura de Belém, em 36 ecopontos instalados na capital e distritos como Mosqueiro e Outeiro. A coleta seletiva na cidade prossegue, mas sob os cuidados das medidas de prevenção e o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Por conta da pandemia da covid-19, houve uma redução no volume de material coletado pelas cooperativas, já que grande parte da produção vem das repartições públicas, gráficas e escolas, e assim o trabalho foi flexibilizado e manteve o resguardo das equipes.