As novas medidas adotadas pelo governo do Estado e dez prefeituras do Pará, entre elas a da capital, Belém, o chamado lockdown, foi um dos principais assuntos discutidos na sessão ordinária virtual de quarta-feira (6), na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Presidente da Comissão de Saúde da casa, o deputado Jaques Neves (PSC) disse que chegou a recomendar ao governador o bloqueio total. 

“Isso porque, em praticamente um mês e meio a dois meses, nós não conseguimos atingir o principal objetivo, que era achatar a curva”, argumentou, parabenizando Helder Barbalho pela ação, “por aplicar um remédio doloroso, mas necessário, no sentido de proteger cada vez mais a população”.

Mesmo afirmando compreender as medidas, Hilton Aguiar (DEM) demonstrou preocupação com os efeitos que elas terão na economia. “Entendemos que muitos têm condições de se manter em casa, mas a maioria não tem. Não tem as condições necessárias para manter o alimento da família e isso nos deixa muito preocupados”, declarou.

Martinho Carmona (MDB) reclamou do fato das igrejas não serem considerados essenciais, afirmando que elas são fundamentais para ajudar aqueles que tem sofrido espiritualmente com os efeitos da pandemia do novo coronavírus. 

“Quantas pessoas estão saudáveis, mas não conseguem dormir a noite?”, questionou, chamando a atenção para os problemas espirituais que as pessoas estão passando. Afirmou ainda que muitos obreiros têm adoecido porque atuam na linha de frente, atendendo as pessoas que precisam dessa assistência.

Outros parlamentos cobraram mais ações dos gestores municipais, entre eles, Renilce Nicodemos (MDB). Ela observou que, mensalmente, recursos estão sendo depositados nas contas das prefeituras: 

“Sei que não são todos os prefeitos, o meu alerta é para os que estão com dinheiro em caixa e não estão fazendo ações que protejam a população. A área da saúde nos municípios está recebendo recursos, nós podemos acompanhar pela internet, tanto recurso estadual, quanto recurso federal, mensalmente, para o enfrentamento ao coronavirus. Mas o que tenho visto é a falta de responsabilidade de alguns gestores com os seus cidadãos”, afirmou Nidemos. 

“Temos que analisar os direitos e também os deveres. A responsabilidade é compartilhada, e o governo está fazendo a parte dele, inclusive se debruçando sobre problemas que não seriam de sua conta. Prefeitos, é preciso ter responsabilidade com o município! Arregacem as mangas, deem as mãos ao governo do estado e vamos juntos vencer esta guerra. É momento de união e responsabilidade”, completou Renilce.