O tráfego aéreo ao redor do mundo teve queda de 64,86% em comparação com o mesmo período do mês passado, segundo o site especializado em aviação FlightRadar24. Às 12h desta terça-feira (7), por exemplo, apenas 5.275 aviões voavam. Na América do Sul, o queda foi ainda maior, de cerca de 80% no tráfego aéreo na comparação entre as 15h de 7 de março e o mesmo horário em 7 de abril. Esse é um dos impactos no setor, causado pela pandemia do novo coronavírus.

No Brasil, a oferta semanal de voos domésticos despencou de 14.781 para apenas 1.241 desde o fim de março. Com a queda na demanda e as medidas contra a pandemia do novo coronavírus, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) conseguiu acordo com as três principais companhias aéreas e formatou uma nova malha aérea em 46 localidades brasileiras.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, explica que os custos ao caixa das empresas antes da adoção dessa nova malha aérea chegava a R$ 45 milhões por dia. Ainda assim, alguns voos foram mantidos para preservar o transporte de cargas — muitas vezes levadas no porão de aviões em viagens comerciais. “Nem todos têm dimensão de como é difícil o transporte de medicamentos pela Amazônia sem aviões”, exemplificou.

Enquanto alguns voos domésticos foram mantidos, as viagens internacionais ficaram praticamente restritas a operações de repatriação. De acordo com a Abear, cerca de 41,5 mil passageiros chegaram ao Brasil a partir de 36 países desde 23 de março. Um terço deles ainda seguiram viagem a países vizinhos.

De acordo com o diretor de comunicação do FlightRadar24, Ian Petchenik, o cenário piorou muito rapidamente. “Se você me perguntasse algumas semanas atrás, eu teria comparado com 2002, 2003”, disse. Naqueles dois anos, o mercado da aviação civil ainda sentia os impactos causados pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. “Mas agora estamos chegando a um ponto sem precedentes. Frotas inteiras estão estacionadas. Nunca passamos por isso”, afirmou.

Quanto ao impacto no setor, a Associação Internacional de Transporte Aéreo estima que 25 milhões de empregos estão em perigo com as interrupções nas viagens. Desse número, 2,9 milhões de trabalhadores correm risco somente na América Latina. Em comunicado, o diretor da Iata, Alexander de Juniac, estimou perdas em US$ 61 bilhões no setor e pede que os governos pelo mundo concedam alívio financeiro às companhias aéreas. “Em média, companhias aéreas só têm caixa para dois meses”, apontou.

No Brasil, as companhias entraram em acordo com sindicatos para evitar demissões pelos próximos meses a partir de propostas de redução salarial e redução de jornada. E, segundo Sanovicz, o setor ainda tenta negociar recursos com o BNDES e com o Ministério da Economia para aliviar financeiramente as empresas.