Na entrevista coletiva que informou sobre o primeiro caso de Covid-19 no Pará, na tarde de quarta-feira, 18, o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde (MS), Wanderson Oliveira, afirmou que o protocolo do MS para fiscalização de casos nos portos e aeroportos e rígido e continua mantido. Mas em Belém, bem diferente disso, a passageira Sandra Lúcia Santos desembarcou de Lisboa, capital portuguesa, na madrugada de ontem e nenhuma fiscalização ou inspeção foi feita no voo, que trazia inclusive pessoas que estiveram na Itália antes de embarcar em Portugal.Segundo Sandra, quando o avião chegou a Belém houve uma demora para a abertura de portas, e antes disso apenas uma mensagem do comandante do voo. “O piloto disse que, quem porventura estivesse com alguma sintoma de coronavírus, que deveria em solo procurar uma unidade municipal de saúde. Eu achei a mensagem absurda porque esperava que essa orientação fosse dada por técnicos da saúde na saída do voo, mas eles simplesmente não existiam ali naquele momento no aeroporto de Belém”, afirma Sandra, que por decisão pessoal, e medo de contaminar familiares, resolveu entrar em quarentena.O medo de Sandra vem do fato de ter ouvido dentro do voo os passageiros que estiveram antes na Itália, se deslocaram para Portugal, e depois embarcaram para Belém no voo direto de uma companhia aérea portuguesa. “O avião estava lotado e essas pessoas estavam viajando tranquilas e sem máscara de proteção. Da minha parte fiquei com muito medo, principalmente ao chegar a Belém e perceber que não há qualquer orientação ou monitoramento para quem vem do exterior nessas condições”, afirma Sandra.Situação grave – Sandra foi visitar a filha e o genro que moram e estudam em Portugal há seis meses. Ela conta que no país as pessoas estão se isolando, as ruas estão vazias e os supermercados estão desabastecidos. “É uma situação muito grave lá em Portugal e no mundo todo. Mas senti que as pessoas aqui não estão levando a sério, ainda não estão entendendo a gravidade dessa pandemia, e é grave, é muito sério”, alerta Sandra.Segundo ela, no próprio aeroporto de Lisboa a situação de orientação é muito diferente do que ela viu em Belém. “As equipes de saúde fiscalizam e disponibilizaram até um telefone para informações 24 horas. Acompanhantes estão proibidos no aeroporto e só tem acesso ao aeroporto as pessoas que comprovam que tem passagem e vão embarcar”, conta Sandra, reforçando o alerta às pessoas. “A gente sabe que não vai ter atendimento suficiente para todo mundo, por isso é tão importante que as pessoas se conscientizem, que levem o isolamento à sério”, finaliza.O Portal Roma News solicitou à Infraero informações sobre se está havendo trabalho das equipe de vigilância em saúde no Aeroporto Internacional de Belém, mas recebeu como resposta apenas um link com as orientações gerais da Anvisa.Positivo para Covid-19 – Além do secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde (MS), Wanderson Oliveira, a coletiva sobre o primeiro caso de Covid-19 em Belém contou com o secretário de Saúde Pública, Alberto Beltrame, e o govenador do Pará, Helder Barbalho.Eles explicaram que o paciente voltou de viagem no último dia 2, sendo, portanto, 16 dias entre a chegada do paciente e a divulgação do exame com o diagnóstico, ou seja, 16 dias de vírus circulante.O paciente em questão só apresentou os primeiros sintomas no último dia 6, quando apresentou mal-estar, dor no corpo e sinais de infecção viral. Ele procurou atendimento médico e foi hospitalizado. A primeira hipótese foi infecção bacteriana.O paciente apresentou disfunção respiratória e fez novos exames, entre eles, uma tomografia sugestiva de pneumonia viral. No dia 12, o paciente fez o teste, que foi enviado no dia 14 ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) para análise, que só saiu na quarta-feira, 18.

Fonte: Roma News