As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são o primeiro lugar a procurar caso haja algum sintoma da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Os sinais e sintomas são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado, como febre e tosse. No entanto, de acordo com a orientação do Ministério da Saúde (MS), casos mais graves com dificuldades para respirar devem ser prioridade para atendimento de emergência.

“Destacamos que a pessoa que sente os sinais leves e moderados de gripe, com tosse, febre e coriza, fique em isolamento em casa ou procure uma Unidade Básica de Saúde e siga as recomendações do Ministério da Saúde e das secretarias. Deixem os atendimentos nas UPAS (Unidades de Pronto Atendimento), prontos-socorros ou hospitais para casos mais graves, com sinais mais agudos, como a dificuldade de respiração”, destacou o titular da Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa), Alberto Beltrame.A declaração foi dada na tarde desta quarta-feira (18), por volta das 16h30, durante a coletiva no Palácio do Governo, em Belém, para atualizar os dados sobre o coronavírus no Brasil. Um dos destaques foi o primeiro caso confirmado de Covid-19 no Pará. Também participaram do encontro com os jornalistas o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira; o governador do Pará, Helder Barbalho; e o vice- governador do Pará, Lúcio Vale.Testes são prioridade para casos sintomáticos gravesAo todo, são 27 Laboratórios Centrais capacitados para a realização do exame RT-PCR, para detectação da covid-19. No Pará, o Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) e o Instituto Evandro Chagas são as referências. Ao todo, 15 mil testes foram distribuídos para todo o Brasil (aos laboratórios da Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública). Nesta semana, mais dez mil testes estão sendo distribuídos para o estados.“O Ministério da Saúde concluiu hoje (18) a capacitação de todos os laboratórios estaduais no Brasil, na realização dos testes laboratoriais específicos para o Coronavírus. Isso gera mais capilaridade, mais celeridade no procedimento, podendo, assim, ajustarmos as medidas não farmacológicas em cada realidade local, reconhecendo as diferenças regionais, já que cada Estado tem o seu plano de contingência”, disse o secretário Wanderson de Oliveira.”Os testes não são para todos. São para casos sintomáticos. Vai chegar um momento em que vamos fazer somente para os casos graves. Na população em geral, em unidades de coleta sentinela. Não existe nenhum lugar no mundo que está fazendo teste em todas as pessoas. Não existe suprimento para isso”, esclareceu.”Para o paciente saber se tem a doença ou não, não muda o manejo como o médico deve tratá-lo, porque não existe um medicamento contra o vírus. Não existe uma vacina. A compreensão se tem ou não é para orientar as pessoas a ficar nas suas casas, aguardando 14 dias, evitando a dispersão do vírus”, acrescentou.”Não vamos conseguir fazer teste para toda a sociedade. Para os casos graves, é fundamental que sejam testados todos. Porque, a partir dos casos internados, teremos maior compreensão se o vírus está sofrendo mutações, se está sendo mais agressivo e se está ocorrendo coinfecção com outros vírus respiratórios”, detalhou Wanderson de Oliveira.UTIsEm todo o Brasil, até o início da noite desta quarta-feira, apenas cinco pacientes necessitam de tratamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No Pará, estão disponíveis 24 novos leitos de UTIs exclusivamente para pacientes com o novo coronavírus.Quatro desses leitos ficam no Hospital Abelardo Santos (2), Santa Casa de Misericórdia do Pará (1) e Hospital Universitário João de Barros Barreto (1). Os outros 20 leitos serão montados em Hospitais Regionais espalhados pelo Estado, e serão usados de acordo com a necessidade. A estratégia é definida pelo Ministério da Saúde.  

“Em todo o mundo, por causa do coronavírus, existe uma escassez de equipamentos, como respirador. Por isso, o Ministério da Saúde tem essa estratégia de alugar kits de UTIs e fazer uma distribuição para todos os estados. São 540 leitos em todo o Brasil e, na divisão, ficaram 20 leitos para cada Estado”, esclareceu o governador Helder Barbalho.  Unidades básicas capacitadasDe acordo com a direção da Sespa, as Unidades Básicas estão capacitadas para o atendimento de todas as pessoas, prestando orientações, tratando e coletando amostras para esclarecimento e diagnóstico. Os casos leves e moderados serão acompanhados pelas Unidades Básicas, por meio das equipes da Estratégia Saúde da Família. Os casos mais graves devem ser encaminhados para as emergências (em hospital, pronto-socorro e UPA – Unidade de Pronto Atendimento). A mesma recomendação é dada às pessoas pertencentes aos grupos de risco (idosos a partir de 60 anos e portadores de doenças crônicas graves e imunodeprimidos, como pacientes oncológicos, hipertensos, cardíacos e diabéticos).

Monitoramento do primeiro caso no Pará

Até às 20h desta quarta-feira, o MS confirmou a seguinte atualização para o coronavírus no Brasil: 11.278 casos suspeitos; 1.841 casos descartados; 428 casos confirmados; e quatro óbitos. No Pará, com atualização feita às 18h pela Sespa, havia apenas um caso confirmado, 64 casos em análise e 27 descartados. Sobre o primeiro confirmado no Pará, em Belém, trata-se de caso importado do Rio de Janeiro (RJ), confirmado na tarde desta quarta-feira, por volta das 15h, por meio do Instituto Evandro Chagas. O paciente tem 37 anos, mora em Belém e regressou no início de março do Rio de Janeiro, onde passou o Carnaval. O paciente apresentou um quadro de síndrome aguda respiratória e procurou atendimento em uma unidade particular. Ficou em isolamento hospitalar por 14 dias, e, agora, segue em isolado em casa, onde apresenta condição de saúde estável. A expectativa é que ele fique em quarentena pelos próximos 14 dias. Ele e a família dele foram orientados a utilizar máscaras de proteção. No entanto, os familiares só passarão por testes caso apresentem algum sintoma da doença. 

“No dia 2, esse paciente chegou do Rio de Janeiro. No dia 6, ele começou a apresentar os sintomas de febre, tosse (pouca tosse), mal estar geral, dor no corpo, enfim, sinais de uma infecção viral, uma síndrome respiratória. Ele procurou o médico dele e, como ele estava com uma temperatura alta de 38 graus, a primeira hipótese levantada foi que ele estava com infecção bacteriana. Ele começou a usar um antibiótico”, contou o secretário Alberto Beltrame.”Ele foi para casa, começou a piorar em casa, retornou ao médico e, como já estava com alguma disfunção respiratória, a indicação foi de internação hospitalar, onde ele fez novos exames. Dentre eles, a tomografia computadorizada, que passou a ser sugestiva de um quadro de pneumonia viral. A partir daí, no dia 12, ele fez a coleta do material para ser examinado para qualquer outro vírus e para o coronavírus. Ele fez todo o percurso que qualquer paciente suspeito faria. A amostra dele entrou no Lacen-PA. Ele fez o primeiro painel dos vírus respiratórios mais convencionais. Foi negativo para todos eles. A partir daí, uma amostra foi enviada ao Evandro Chagas, onde foi processado o exame dele, que foi confirmado nesta quarta-feira”, detalhou o titular da Sespa. “Quanto aos familiares, eles não estão sintomáticos neste momento. Então, não há indicação de coleta de exames para eventual identificação de um vírus porque eles não têm nenhum sinal ou sintoma de que estejam infectados. No momento, eventualmente, que algum tenha um sinal ou sintoma que tornem eles suspeitos, se coletará a amostra e enviará ao Lacen-PA para fazer todos os exames. Do ponto de vista da proteção, foi orientado que o paciente voltasse para casa, usando máscara. E todas as pessoas que tiverem contato com ele deverão usar máscara dentro do ambiente domiciliar. Quando elas estiverem fora de casa, não precisam sair de máscara na rua”, acrescentou Beltrame.O governador Helder Barbalho reforçou que não se trata de um caso de circulação interna. “Estamos tratando de um caso que não é de circulação interna, comunitária. A transmissão foi em outro Estado. Eu conversei com ele por telefone, e me disse que está absolutamente tranquilo. Recebeu alta hoje de manhã (quarta-feira, 18), mas continua isolado em casa. E vamos ficar monitorando a família”, informou.Mudança no horário dos shoppingsO governador Helder Barbalho e o secretário Alberto Beltrame pediram tranquilidade à sociedade paraense, ressaltando as medidas preventivas que estão sendo tomadas, entre elas a suspensão de aulas na rede estadual de ensino e a redução de horários de funcionamento de shopping centers.

“Nós reunimos com representantes de shoppings do Estado e nos foi informado que a partir de amanhã (quinta-feira, 19) esses locais devem abrir a partir do meio-dia e fechar às 20h. Estão avaliando como ficarão os serviços de cinema, e também tomando medidas de higienização”, informou o governador.

Ainda na coletiva, as autoridades falaram sobre os cuidados com informações falsas sobre a pandemia de Covid-19. Todos pediram cautela para evitar pânico, e mencionaram como fontes de informação segura canais de comunicação oficiais, como o site do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais – no Pará, o site da Sespa. Outro canal importante para checar se informações são corretas ou fake news é o Whatsapp disponibilizado pelo Ministério da Saúde: (61) 99289-4640.  

Fonte: Agência Brasil