O Pará iniciou o ano com a maior retração do setor industrial entre as 15 localidades observadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apresentou, nessa quinta-feira, 12, os dados da Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional). Em 17 anos, esse foi o pior janeiro para a indústria paraense, que caiu 6,6% na comparação com igual período de 2019. A queda de 8,6% na indústria extrativa paraense, sobretudo do minério de ferro, provocou a desaceleração no Estado que – de acordo com dados do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) – corresponde a mais de 80% das exportações.

O analista do IBGE e responsável pela PIM Regional, Bernardo Almeida, explica que a indústria extrativa mineral, que é o caso do Pará, ainda sofre com o caso de Brumadinho (MG). “Isso ainda é reflexo do estouro da barragem de Brumadinho, que derrubou a produção de minério de ferro, ferronióbio e produtos siderúrgicos. A indústria mineira caiu 14,2% e impactou o Espírito Santo (-20,9%). O setor extrativo do Pará também recuou 6,6%”, comentou.  

A indústria paraense de produtos alimentícios também registrou forte queda no primeiro mês do ano. Caiu em 17,4% na comparação com dezembro de 2019. A indústria de transformação (-6,6%), de celulose, papel e produtos de papel (-5,2%) e de produtos minerais não metálicos (-2,3%) também apresentaram retração no período analisado.

Por outro lado, a metalurgia apresentou alto índice de dinamismo no período, atingindo um crescimento de 68,7%. As indústrias de bebidas e de produtos de madeira acompanharam o movimento de alta no período e registraram elevação de 13,3% e 4,9, respectivamente.

Considerando a variação registrada na passagem de dezembro de 2019 para janeiro de 2020, a pesquisa do IBGE identificou recuo apenas nas indústrias paraense e do Mato Grosso (-2,3%). Todas as demais localidades apresentaram crescimento no setor industrial, com destaque para a Bahia (10,3%), Rio de Janeiro (3,9%) e a Região Nordeste (3,2%).

Pior janeiro em 17 anos

  • 2003: +9,3%
  • 2004: 10%
  • 2005: 4,1%
  • 2006: 15,8%
  • 2007: 3,9%
  • 2008: 7,2%
  • 2009: -5,2%
  • 2010: 8,1%
  • 2011: 2,8%
  • 2012: -1,6%
  • 2013: -2%
  • 2014: 8,1%
  • 2015: 3,5%
  • 2016: 9,3%
  • 2017: 10,3%
  • 2018: 9,7%
  • 2019: -1,3%
  • 2020: -6,6%

Fonte: Pesquisa Industrial Mensal Regional – IBGE (Janeiro-2020)