Crianças sem aulas, bibliotecas fechadas e universidades interrompendo as atividades. Esse é o cenário da educação em Portugal, onde, até agora, foram registrados 375 casos suspeitos, sendo 41 confirmados de contágio pelo novo coronavírus. O surto de Covid-19, no entanto, atingiu em cheio a comunidade acadêmica, sobretudo universidades, que anunciam, a cada momento, a suspensão das aulas como medida preventiva.

No norte de Portugal, onde muitos paraenses estudam, a preocupação tem aumentado a cada notícia veiculada nos órgãos e imprensa ou mesmo compartilhados em redes sociais. Principalmente porque máscaras de proteção e álcool-gel já não são encontrados em farmácias e supermercados.

Entre as universidades que já anunciaram a suspensão das aulas e a interrupção de atividades nas bibliotecas, a Católica do Porto, o Cespu, a Esmae, a Lusófona e a do Porto, além da Universidade do Minho, em Braga, todas na região.

Priscilla Brasil e os filhos 

A paraense Priscilla Brasil faz doutorado em Pós-Colonialismos e Cidadania Global, na Universidade de Coimbra, onde foi anunciado, na última segunda-feira, 19, que as aulas seriam interrompidas, diz que a ansiedade é difícil de combater, pois à medida em que novos casos são confirmados a preocupação é inevitável. “A expectativa o fechamento do norte do país é grande e pode acontecer a qualquer momento. Precisamos pensar no coletivo, em não estocar comida desnecessariamente, em não entrar em pânico em ser solidário sempre”, diz Priscilla, que tem três filhos pequenos e por isso reforça a atenção e cuidados de prevenção.

 Renata Zampollo e o filho, Lucca Barros

Também paraense e mestranda de Comunicação e Gestão de Indústrias Criativas na Universidade do Porto, Renata Zampollo afirma que não se sente prejudicada pelos casos confirmados de coronavírus, apesar da instituição ter anunciado a interrupção de suas atividades em vários de campus. “Eu e meu filho temos evitado lugares públicos fechados e adotado medidas de segurança, como lavar muito bem as mão após utilizar o transporte público”, justifica ela, mãe de Lucca Barros, de 13 anos, que já aguarda o anúncio de suspensão das aulas na escola onde cursa o oitavo ano.


 Natália Mousinho

Natália Lourenço Mousinho, de Belém, mas residente da cidade do Porto, já sente os efeitos do surto de Covid-19. Ela faz mestrado em Direito das Empresas e dos Contratos, na Universidade do Minho, em Braga, no norte do país, e lamenta não poder frequentar a biblioteca. “Preciso fazer pesquisas e tenho evitado ir à universidade, pois há informações que podem ser encontradas somente em livros”.


 Renan Regis

Também paraense, Renan Régis, de 25 anos, cursa Medicina Dentária na Universidade Fernando Pessoa, no Porto, uma das poucas instituições que ainda não anunciaram suspensão das aulas. Preocupado, o estudante, que é dono de uma hamburgueria e já sentiu queda no movimento, diz que tem se protegido como pode, pois considera que a situação é, mesmo, difícil.

Antecipação da férias de Páscoa

O norte de Portugal, tem sido, de fato, a região mais atingida pelo surto de coronavírus. Por isso, as instituições decidiram suspender as atividades, pelo menos, até o próximo dia 20.

Nesta quarta-feira, 11, o Ministério da Educação vai anunciar se antecipa ou não as férias de Páscoa, programadas, inicialmente, para o dia 28 deste mês. Se isso acontecer, as escolas primárias e secundárias já paralisam as atividades na próxima sexta-feira, 13.

Credito: Portal Roma News