Nesta quarta-feira, 26 de fevereiro, celebra-se o Dia do Comediante no Brasil. A data rende homenagens a um segmento surgido ainda na Grécia Antiga, com o teatro, onde a arte era representada, essencialmente, por duas máscaras: a máscara da tragédia e a máscara da comédia. Enquanto a comédia dedicava-se a contar “causos” de homens comuns da pólis grega, a tragédia focava em histórias de homens considerados heróis, ou seja, superiores.

Berço de diversos humoristas que fizeram história pela perspicácia no uso das palavras, boas sacadas e – talvez o mais difícil – a habilidade de seduzir um público e fazê-lo rir, o Brasil tem a honra de ter sido casa de diversos profissionais valiosos para o humor nacional. Entre nomes expressivos, que até hoje são referências entre novas gerações de artistas de comédia, a terra brasilis ostenta a herança de humoristas como Chico Anysio, Nair Bello, Ronald Golias, Jô Soares, Mazzaropi, Grande Otelo, Dercy Gonçalves e do paraense Lúcio Mauro, em uma lista praticamente sem fim…

No Pará, o juiz de direito criminal Cláudio Henrique Lopes Rendeiro concilia a seriedade da profissão com a arte de fazer rir por meio do personagem Epaminondas Gustavo. Natural de São Caetano de Odivelas, o artista lembra que sempre teve uma veia no humor e desde criança fazia imitações entre os familiares. “Sempre fui o palhaço da família”, lembra. 

Para Rendeiro, o personagem lhe possibilitou uma maior proximidade com pessoas que por vezes não entendem a linguagem jurídica. “Com o Epaminondas, ele consegue explicar em 50 segundos o que é violência doméstica patrimonial, por exemplo. Pra um juiz falar disso, ele ia ter que falar da lei Maria da Penha, de ação afirmativa, a finalidade e porquê existiu, porque não tem a lei que combate a violência contra o homem…”, defende.

De acordo com Rendeiro, o personagem surgiu na época em que retornou à Belém para trabalhar em um vara de penas alternativas, no caso em que as penalidades não são de prisão. Convidado para coordenar um núcleo a ser implementando em 12 comarcas do Estado, o juiz, então, viu no humor a possibilidade de fazer com que um maior número de pessoas compreendessem as informações do judiciário. “Mas doutor, quem vai fazer o personagem?”, perguntei uma servidora ao juiz sobre a sugestão de um ribeirinho chamado Epaminondas que não compreendia o que era uma pena alternativa. “Eu faço”, respondeu o juiz, criando, sem saber, seu personagem mais conhecido. Mas foi só em 2013, quando um áudio de Epaminondas sobre o “Whatsapp” viralizou que, de fato, o papel ganhou forma.

Inicialmente restrito ao aplicativo de mensagens, Epaminondas Gustavo atualmente protagoniza diversas apresentações de stand-up na capital paraense ao lado do cantor e humorista Adilson Alcântara, com o show “Humor à primeira espiada”, que em abril completa três anos de criação. O artista explica que, além do desafio de cativar o público, aposta em humor sem duplo sentido ou apelações preconceituosas ou sexuais para conseguir fazer rir.  “Eu acho que o maior desafio do humor é saber o limite. Fazer humor é difícil, fazer rir é difícil e você ter um humor limpo acho que é mais difícil. O desafio é você conseguir fazer um humor ingênuo, bem verdadeiro, bem próximo do cotidiano das pessoas e ao mesmo tempo não ser apelativo”, pontua.

Para o juiz, a comédia é fundamental para vida em sociedade, cercada de mazelas sociais como desigualdade e violência. “O comediante pode dar uma tonalidade amenidade e também mostrar essa verdade com o riso, mas um riso com uma finalidade. Através do humor, você pode mudar uma sociedade. Acho que esse é o maior papel do comediante, alterar a realidade por meio do humor”, conclui.

Nanny People: a rainha do humor

Queridíssima dos brasileiros, Nany People é quase uma unanimidade quando se fala do humor nacional: carismática, irreverente, espontânea e sagaz, a artista faz tiragens rápidas que são impossíveis de fazer com que o público permaneça impassível. A  longeva trajetória de mais de 40 anos nos palcos é tão expressiva que a artista é a grande atração de uma edição especial do programa Sem Censura, da TV Brasil. A programação com a atriz e humorista vai ao ar hoje, 26, às 18h, no canal televisivo. A entrevista fica sob o comando de Vera Barroso e Bruno Barros.

Os exatos 45 anos de carreira de Nany People renderam muitas realizações para a artista. “Tudo que eu consegui foi através da arte”, lembra Nany. “Consegui minha bicicleta na infância cantando em um concurso. Também foi o caso de uma televisão nos anos 1970 em outra disputa de calouros, conduzida pelo Chacrinha”, diz a artista, que relembra ainda, durante a entrevista aos apresentadores do Sem Censura, que ganhou uma bolsa de estudos para aperfeiçoar as técnicas de canto.

Na descontraída conversa no estúdio da emissora pública, a artista falou sobre sua trajetória no segmento artístico. “Eu sou muito imaginativa. Comecei no teatro em 1975 e não parei mais. Sou técnica de laboratório de análises químicas industriais. A formação acadêmica em artes cênicas veio só depois”, detalhou.

Em cartaz com a nova turnê do espetáculo de stand up “TsuNany”, ela traça um panorama sobre sua história e destaca curiosidades sobre momentos marcantes do percurso nas artes. Durante o programa, Nany People explica esse projeto em que conta bastidores da sua carreira e da vida pessoal. No papo com os apresentadores, ela ainda lembra dos trabalhos mais representativos e aponta os seus personagens que fizeram história na telinha e nos palcos.