Escolas de samba do 2º Grupo do Carnaval de Belém desfilaram na passarela da Aldeia Amazônica Davi Miguel, na avenida Pedro Miranda, no bairro da Pedreira, abrindo os desfiles oficiais da Prefeitura de Belém. As agremiações, num total de oito escolas, levaram para a avenida do samba temas que preponderam na cultura da comunidades dos bairros da capital paraense. O público compareceu para conferir a exibição dos brincantes ao das baterias, desde as 20h30. Quem desfilará neste sábado são as escolas do 1º Grupo, e no domingo (16) será a vez das escolas do 3º grupo. Neste sábado (15), será a vez das escolas do grupo principal. A programação de desfiles oficiais é em homenagem ao escritor Ruy Barata, cujo centenário de nascimento transcorre em 2020.

A primeira escola a se apresentar na Aldeia, nesta sexta (14), foi A Grande Família. Com 800 brincantes, 100 ritmistas e seis alas, a agremiação apresentou o enredo “Amazônia – O Lamento do Povo da Floresta”, abordando  as riquezas e as ameaças constantes contra essa área verde estrutural para o mundo. O presidente da escola, Théo Pérola Negra, cantou com o puxador oficial do samba enredo, Andrezinho do Império. “´É emocionante poder cantar ao lado do Théo Pérola Negra, esse símbolo do Carnaval de Belém”, declarou André. Fernando Gogó de Ouro, outro nome histórico do Carnaval belenense, desfilou na Grande Família.

A escola teve alas simbólicas, como A Morte da Floresta, cujos brincantes saíram com uma fantasia fúnebre com uma caveira e tons de roxo, verde e preto. Uma ala bem animada foi a dos Guarás, e destaques de chão vestiram fantasias indígenas, em homenagem às etnias na Amazônia. No samba-enredo, a Grande Família falou da ambição do caraíba na região. O carro abre-alas da agremiação trouxe uma grande oca cercada de indígenas e aves da região.

“Estar aqui na Aldeia, desfilando pela Grande Família, significa celebrar a alegria do brasileiro; ainda mais quando a gente vive em um país tão cheio de desastres e desafios, e este é o momento que a gente tem para curtir, para mostrar que a gente sempre dá a volta por cima e está aqui para se divertir”,  afirmou Duda Lacerda, do Grupo Homossexual do Pará (GHP).

(Cristino Martins / O Liberal)

Cultura afro

O segundo momento do desfile oficial desta sexta na Aldeia Amazônica ficou por conta da escola Mocidade Botafoguense, do bairro do Umarizal. O enredo da agremiação foi “Saravá”, em homenagem às religiões de origem afro que são verificadas de Norte a Sul do Brasil. A escola teve, entre outros destaques, a rainha da bateria Rayane de Cássia, e o porta-estandarte Leandro Trindade, este com a fantasia Oxumarê. A Botafoguense exibiu-se com 400 brincantes e cinco alas.

Graça Brito, presidente da escola, informou que a ala das baianas foi intitulada de “Na santa paz de Oxalá’; a primeira ala, toda de azul foi “No caminho de Ogum”; a segunda ala, de vermelho e branco, chamou-se “Na Justiça de Xangô”; outra ala, toda vermelha, foi a “Tempestade de Oyá’. O mestre-sala foi Luan Branches e a porta-bandeira, Ingrid Monteiro. No carro alegórico da Botafoguense desfilou a mãe de santo Mametu Kátia Hadad, uma das principais lideranças da cultura afro em Belém. Consuelo Peres, de 80 anos de idade, sambou no chão, em uma das alas da escola.

Cada escola do 2º Grupo teve 50 minutos para desfilar na passarela do samba. Ao longo do desfile das escolas, o público ficou de conferir a apresentação das escolas Coração Jurunense, com o enredo “No pulsar do Coração, ecoa na Aldeia: o teatro, a dança, a magia e o canto da Liberdade na Festança dos Bois Bumbás”; do Império Jurunense, com “Japão – Do Império do Sol Nascente ao Império Jurunense – 90 anos da Imigração Japonesa  no Pará; do Habitat do Boto, com o enredo “Bem-aventurados os que promovem a paz”; escola Os Colibris, com “Samba de Artista – 20 anos pintando com arte o Samba Paraense”; escola Cacareco, com “Liberdade – A Força da Ancestralidade Africana”, e escola Acadêmicos da Pedreira, com o enredo “Além do Imaginário ao Reino de Manoa – A viagem do Grande Xamã”.

“A programação dos desfiles oficiais de Carnaval de Belém começou aqui, na Aldeia, com muito entusiasmo, estamos muito feliz em levar mais uma vez à população de Belém um Carnaval bonito, brilhante. Inicia hoje e vamos até a madrugada da próxima segunda-feira (16), afirmou o presidente da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), Fábio Atanásio. Nos três dias de desfile, são previstas 30 horas de desfile de agremiações, de acordo com a Fumbel.