Pela primeira vez, o Censo, feito a cada 10 anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fará a coleta de dados de quilombolas. Essas informações podem ter um impacto sobre a contagem da população preta do país. A novidade foi confirmada por Luiz Claudio Martins, coordenador técnico da operação no Pará, em visita à Redação Integrada de O Liberal. As pesquisas em campo começam no dia 1º de agosto e terminam em 31 de outubro.

Desde 1991, já havia uma coleta específica de dados de indígenas. A cada década, a metodologia foi sendo refinada, o que facilitou o trabalho dos recenseadores. Só que não havia dados mais precisos sobre quilombolas. Essa mudança já é reflexo do aumento de pessoas que se autorreconhecem, mais discussões a respeito e a necessidade de compilar essas informações. Haverá dados mais precisos sobre as comunidades e moradores.

Só uma coisa não avançou: ainda não há uma coleta específica que identifique gêneros. O IBGE só ainda trabalha com sexo biológico. Logo, será mais uma década sem dados minimamente precisos sobre a população LGBTI+ brasileira. Até o rastreio de indígenas venezuelanos da etnia Warao serão rastreados, mas a população LGBTI+ vai continuar esperando.

Neste ano, serão 5.988 recenseadores. Desses, 1.088 atuarão apenas em Belém. O número geral de trabalhadores do Censo caiu. Luiz não disse o tamanho da redução, mas garantiu que a qualidade dos dados não será comprometida. Mas pede que as comunidades ajudem os recenseadores a cumprir essa tarefa.

Na quarta-feira (12), haverá uma reunião pública na Estação Gasômetro, no complexo do Parque da Residência. Começa às 9h e está prevista para encerrar 12h. O objetivo é apresentar a operação do Censo 2020 e criar um contato com lideranças comunitárias e ONGs. Qualquer pessoa pode participar. É uma forma de dar transparência e segurança, tanto à população quanto aos recenseadores que estarão em campo.

“Mesmo com limitações, nossa operação continua sendo robusta e a mais confiável, pois nós vamos em cada domicílio do Brasil, para retratar quantos somos e em que condições estamos vivendo. E como as políticas públicas chegam até nós e como podem ser monitoradas e ajustadas, como saúde, saneamento, segurança, educação… Tudo em forma de dados palpáveis”, destaca Luiz Claudio.

Em julho deste ano, uma primeira etapa será feita nos centros urbanos. É uma pré-operação do Censo, que será a pesquisa de entorno de domicílios. O foco dessa pesquisa é mobilidade urbana, acessibilidade e algumas questões de saneamento (esgotos, drenagem, pavimentação de vias). Todas as pesquisas são georreferenciadas e poderão atualizar mapas e endereços.

Fonte: O Liberal