O número de paraenses com câncer deve chegar a 9.250 este ano. Para 2021 e 2022, a previsão é que esse número se repita, chegando a 27.750 novos casos no Estado neste triênio. Em média, serão mais de 25 novos registros por dia ou mais de um diagnóstico da doença a cada hora, segundo as Estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), divulgada no último dia 4, durante a cerimônia que celebrou a campanha do Dia Mundial do Câncer.

Segundo o estudo, serão 4.500 novos tumores malignos entre os homens do Pará até o fim de 2020, sendo os mais incidentes os de próstata (930), de pele não melanoma (760), de estômago (560), de pulmão (340) e de reto (200). Na população feminina estima-se 4.750 registros, com destaque para os cânceres de pele não melanoma (900), de mama (780) e de colo do útero (780). Em taxas brutas de incidência estimadas, o estudo indica que, em cada grupo de 100 mil, 103,7 homens e 111,43 mulheres contrairão um tipo de câncer ainda neste ano.

Conforme o Inca, ao longo de 2020, serão 2.680 novas neoplasias identificadas na capital paraense, com o número de novos casos entre as mulheres superior ao dos homens.

Quase um terço desses novos casos deverão ocorrer em moradores de Belém. Conforme o Inca, ao longo de 2020, serão 2.680 novas neoplasias identificadas na capital paraense, com o número de novos casos entre as mulheres superior ao dos homens: 1.550 contra 1.130. Pela estimativa do Inca, 185,43 mulheres belenenses, em cada grupo de 100 mil, contrairão um tipo de câncer. Entre os homens, serão 150,65 a cada 100 mil. Os cânceres mais comuns na população feminina de Belém nesse ano, serão o de pele, com 330 registros; de mama, com 320 casos; de estômago, com 130; e o de colo do útero, com 110. Os homens devem registrar 250 casos de câncer de pele; 140 de próstata e outros 140 de estômago. 

Infantojuvenil

No Pará, por exemplo, estima-se 840 novos casos de câncer entre crianças e adolescentes nos próximos três anos, o que corresponde a 280 casos novos a cada ano – taxa de 89,72 registros a cada 100 mil. Anualmente, a projeção no Estado aponta 160 registros novos entre os meninos (97,54) e de 120 entre as meninas (81,49). Nacionalmente, são esperados para cada ano do triênio, serão 8.460 casos de câncer infantojuvenil, sendo 4.310 para o sexo masculino e 4.150 para o sexo feminino.

A inclusão dos números de câncer infantojuvenil por estado é um avanço importante, explica Ana Cristina Pinho, diretorageral do Inca. “Essa evolução pode auxiliar no aprimoramento das ações de saúde pública e controle da doença neste público específico”, destaca Ana. Atualmente, é possível afirmar que, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos pelo câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados.

Pela estimativa do Inca, 185,43 mulheres belenenses, em cada grupo de 100 mil, contrairão um tipo de câncer (Joab Ferreira / Arquivo Ascom HRBA)

Fator de risco em Belém é um dos maiores do País

O aumento dos novos casos de câncer apontados no Pará e em Belém acompanham o avanço dos índices de sobrepeso e obesidade da população. A pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada pelo Ministério da Saúde no segundo semestre do ano passado, revelou que 57,7% da população adulta da capital paraense estava acima do peso, sendo 20,7% deles considerados obesos – segundo maior índice do País, superado apenas pela capital sul mato-grossense, Campo Grande, que registrou 22%. Oito anos antes, essas proporções eram de 39,5% e 12,8%, respectivamente.

Ainda de acordo com a pesquisa, o principal vilão para o sobrepeso da população belenense continua sendo o hábito alimentar pouco saudável. Belém aparece como a capital brasileira com o menor consumo regular de frutas e hortaliças – apenas 15,9% da população ingere a porção diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de cinco ou mais porções ao dia. Outros 9,6% assumem tomar refrigerante cinco ou mais dias por semana; 26,8% consomem carne com excesso de gordura; apenas 45,6% ingerem feijão na maioria dos dias da semana; e 22% estão com colesterol alto.

Outro fator determinante para o aumento de peso da população de Belém é o sedentarismo. O Vigitel revela que a proporção de adultos que praticam atividades físicas no tempo livre (pelo menos 150 minutos de atividade de intensidade moderada por semana) aumentou apenas 11,4% entre o primeiro ano da pesquisa, 2006 (38,3%), e o ano passado (42,7%). Já a população que pratica atividade física no deslocamento do trabalho, ou seja que faz uma caminhada ou utiliza uma bicicleta no percurso, reduziu de 16% em 2017 para 13,3% em 2018.

O levantamento ainda traz um total de 17,5% dos habitantes de Belém que admitem consumo abusivo de bebida alcoólica – consumo de 4 ou mais doses (se mulher) ou 5 ou mais doses (se homem), em uma mesma ocasião, nos últimos 30 dias. A prevalência de direção após consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica no último ano foi de 4,7% na capital paraense. O maior percentual do País foi identificado em Palmas (14,2%) e o menor em Recife (2,2%). No Brasil, a média foi de 17,9% de consumo excessivo de álcool, e de 9,3% de consumo de bebida e direção.

Fonte: O Liberal