Pará

O Pará alcançou, em 2019, uma cobertura vacinal de rotina de 77,02% nas duas doses de tríplice viral, que contêm o componente contra o sarampo, doença que pode até matar. O número foi divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Segundo a Sespa, a vacina contra o sarampo continua disponível nas unidades de saúde de todo o Estado, pois faz parte do calendário de vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Cada indivíduo deve tomar duas doses da vacina para ficar imunizado contra a doença. Então, quem ainda não se vacinou deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima de onde mora.

Até agora, a dona de casa Keila Sousa, 38 anos, ainda não conseguiu com que a filha dela, de um ano e 9 meses, tomasse a segunda dose contra a doença. “Toda vez que vou levar ela (para ser imunizada), ela está doente”, contou. Na manhã desta segunda-feira (3), Keila disse que também já aconteceu de, quando sua filha estava saudável, tê-la levado à unidade de saúde do município e não ter a vacina. A dona de casa mora na passagem do Círio, cuja via principal é a rua dos Tambés, no bairro da Condor, em Belém. A Condor fica no Distrito Administrativo do Guamá (Dagua), onde, no mês passado, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), intensificou a vacinação contra a doença. Mais populoso de Belém, o Dagua engloba os bairros do Jurunas, Condor, Terra Firme, Guamá e Cremação e concentra mais de 50% dos casos confirmados da doença. “Na verdade, eu não estou tomando nenhum cuidado. Ela ainda não tomou a segunda dose. Ela está com um ano e nove meses. E deveria ter tomado com um ano e três meses”, contou. “Toda vez que vou vacinar ela fica doente. E tem que tomar antibiótico”, afirmou.

Keila Sousa ainda não conseguiu com que a filha de um ano e 9 meses tome a segunda dose contra a doença
Keila Sousa ainda não conseguiu com que a filha de um ano e 9 meses tome a segunda dose contra a doença (Fábio Costa / O Liberal)

E acrescentou: “Quando ela estava na idade para tomar, teve pneumonia. O tratamento durou dez dias. Passaram-se os dez dias, ela ficou boa e fui lá, na unidade de saúde da Condor. Mas não tinha (a vacina). Mandaram eu ir em outra (unidade). Mas fica muito difícil andar sozinha com ela por aí”, contou. Um mês depois, Keila disse que retornou à unidade de saúde e, novamente, não havia a vacina. “Aí, quando chegou (a vacina), de novo ela adoeceu – caso de pneumonia. Quando terminou de tomar o antibiótico, fui lá de novo, mas não tinha. Aí, veio a campanha (de vacinação contra o sarampo) e, agora, está cheio de vacina. A campanha foi em setembro. Tentei vacinar novamente, mas ela ficou de novo doente”, contou. “Toda vez que tem a vacina ela está de doente. E, quando está boa, não tem a vacina”, afirmou Keila. “Só que, agora, está tendo (vacina) direto. Mas não estou conseguindo vaciná-la. Ela está com princípio de pneumonia, e não sei a razão de ela pegar (pneumonia) com muita facilidade. Estou aguardando o agendamento da consulta com o pneumologista, mas ainda não me ligaram”. Keila afirmou que evita, ao máximo, que sua filha seja exposta à chuva ou a sol. Ela disse que não se vacinou porque só pode tomar a vacina quem tem até 29 anos. Mas, durante a campanha realizada no Dagua, a Sesma informou que podiam ser imunizadas pessoas com até 49 anos. Keila afirmou ainda que, nesta terça-feira (4), sua filha termina de tomar o remédio para ficar boa da pneumonia. “Aí, vou levar ela na posto. Espero que, desta vez, tenha (a vacina). Estou com medo de ela pegar sarampo”, afirmou.

Perto da casa dela, e na mesma passagem, uma adolescente de 17 anos apresentou os sintomas da doença. Ela fez o tratamento e, hoje, está curada. Mas ainda não recebeu a confirmação de que, de fato, contraiu sarampo. “Isso foi em dezembro. Ela tinha marcas no corpo. Febre. Depois da febre, atacou a garganta. Ela passou uma semana assim. Fizemos o tratamento”, disse Maria Raimunda Dias, 61 anos, que é avô daquela jovem. “Estamos nos prevenindo. Disseram que ela não podia ter contato com outras pessoas. E que ela deveria tomar muita água e, também, os remédios. Aqui em casa são quatro pessoas, mas só ela pegou”, afirmou. “Fiquei preocupada, porque dizem que sarampo mata de uma hora para a outra. E perder uma neta assim para o sarampo…”. Maria Raimunda disse que, por causa da idade, não tomou a vacina. E afirmou que pretende buscar, o quanto antes, na Sesma, na avenida Governador José Malcher, em São Brás, o resultado do exame feito em sua neta. A passagem onde residem Keila e Maria Raimunda foi fundada na véspera do Círio (daí a origem do nome) e, em setembro, completará 30 anos de existência. Em relação à informação da dona de casa Keila, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) informou, nesta segunda-feira (3), “que não há falta de vacina Tríplice Viral e orienta a paciente que procure a Unidade de Saúde mais próxima da residência”.

Moradores do bairro da Condor, no Distrito Administrativo do Guamá (Dagua), ganham reforço para combater o sarampo
Moradores do bairro da Condor, no Distrito Administrativo do Guamá (Dagua), ganham reforço para combater o sarampo (Fábio Costa / O Liberal)

Sesma amplia vacinação no Distrito Administrativo do Guamá (Dagua)

Em janeiro deste ano, houve a ampliação da estratégia de vacinação contra o sarampo no Distrito Administrativo do Guamá (Dagua), promovida pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). A faixa etária a ser imunizada era de seis meses a 49 anos. Ao longo desse primeiro dia de estratégia (7 de janeiro), 30 postos de vacinação foram disponibilizados em diversos pontos do bairro do Guamá para ampliar o acesso à vacina contra o sarampo. Esta estratégia continuou até o dia 8, no Guamá, e, nos dias 9 e 10, seguiu para o bairro do Jurunas. O cronograma se estendeu até 17 de janeiro, contemplando todos os bairros do Dagua.

“Estamos neste trabalho intenso para quebrar a cadeia de transmissão do vírus. Cerca de cem profissionais e voluntários estão trabalhando na ação de mobilização pela vacina. Todos os bairros do Dagua serão contemplados, haja vista que nele estão mais de 50% dos casos confirmados”, disse Leila Flores, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da Sesma.

Em 2019, foram notificados 201 casos suspeitos de sarampo em todo o município de Belém, dos quais 48 foram confirmados, 42 descartados e 111 seguem em investigação. Nenhum óbito foi registrado. Do total de confirmados, 28 foram no distrito Dagua, principalmente, nos bairros da Condor (12 casos) e Guamá (8). Quem ainda não havia se vacinado, e estava na faixa etária de seis meses a 49 anos, deveria procurar um dos postos montados pela Sesma ou a Unidade de Saúde mais próxima da sua casa.

“É um momento de engajamento pela saúde de todos. Sarampo pode matar ou deixar graves sequelas. A gestão municipal está usando todas suas frentes de trabalho, mas é preciso que a população faça a sua parte, não acredite em fake news e procure os serviços de saúde. A vacina é a única forma de prevenção e a melhor resposta para a eliminação dessa doença em nosso município”, disse, em janeiro, Leila Flores. 

Sarampo

É uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, que pode ser fatal. Sua transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. A única maneira de evitar o sarampo é pela vacina.

Principais sintomas:

Febre acompanhada de tosse.

Irritação nos olhos.

Nariz escorrendo ou entupido.

Mal-estar intenso.

Prevenção

O sarampo é uma doença prevenível por vacinação. Os critérios de indicação da vacina são revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde e levam em conta: características clínicas da doença, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida, ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos.

Quem deve se vacinar contra o sarampo?

Dose zero: devido ao aumento de casos de sarampo em alguns estados, todas as crianças de 6 meses a menores de 1 ano devem ser vacinadas (dose extra).

Primeira dose: crianças que completarem 12 meses (1 ano).

Segunda dose: aos 15 meses de idade, última dose por toda a vida.

Adulto deve se vacinar contra o sarampo?

Se você tem entre 1 e 29 anos e recebeu apenas uma dose, recomenda-se completar o esquema vacinal com a segunda dose da vacina.

Quem comprova as duas doses da vacina do sarampo, não precisa se vacinar novamente.

Não tomou nenhuma dose, perdeu o cartão ou não se lembra?

De 1 a 29 anos – são necessárias duas doses; de 30 a 49 anos – apenas uma dose.

Fonte: Ministério da Saúde