Tijolos sustentáveis e aterro planejado para regiões alagadas foram algumas das ideias apresentadas durante o Torneio Sesi de Robótica First Lego League, que desafiou crianças e adolescentes a encararem e encontrarem soluções para problemas da sociedade moderna. Com o tema City Shaper – Construindo cidades inteligentes e sustentáveis, a temporada 2019/2020 da disputa, que começou na sexta-feira (31) e encerrou-se no sábado (1), no Sesi de Ananindeua, envolveu cerca de 250 alunos, de 9 a 16 anos, divididos em 22 equipes. Além da exibição de robôs e as tarefas das mesas de robótica, eles se envolveram em projetos com soluções inovadoras para os desafios que as comunidades em que vivem enfrentam.

O torneio foi uma etapa regional, com a participação de equipes do Pará, Amapá e Maranhão, para selecionar o projeto que deve disputar a etapa nacional, em São Paulo. As equipes faziam parte das escolas do Sesi nesses três estados, de quatro escolas públicas, uma Organização Nacional Governamental (ONG) e uma escola privada do Marajó. “Nós apadrinhamos escolas públicas municipais, com a formação dos técnicos com questão dos equipamentos, para estarem hoje participando. Eles vêm num trabalho com a gente, de seis meses, de formação, capacitação, para hoje estarem aqui presentes. Os torneios são uma rotina nas escolas do sesi. O diferencial aqui é porque abrimos para fazer uma etapa regional, que vai classificar para o nacional”, explica Márcia Argueles, gerente de educação do Sesi Pará.

Um dos projetos apresentados foi da equipe Robotech, do Sesi de Altamira, que levou um protótipo de tijolo composto por caroço de açaí triturado (30%) e argila (70%). “Na hora da queima, a duração é menor, economiza mais a lenha e reduz os poluentes no ar”, explica a estudante Sthefany Gabrielly da Silva Neves, de 12 anos, aluna do sétimo ano.

Além dela, fazem parte da equipe Ana Luíza, Abner Luiz e Caíque Macedo, todos do sétimo ano, e Felipe Lima, estudante do sexto ano. Os técnicos são Rafael Fernandes e Vandiney Nascimento.

Sthefany conta que a equipe fez parceria com a prefeitura do município e a cerâmica Santa Clara, que já vinha tentando achar um protótipo feito de tijolo ecológico. “O aterro sanitário fica 15 quilômetros distantes da cidade e todos os caroços de açaí são destinados para lá, enquanto a cerâmica fica a um quilômetros, e não teve problema deles levarem o caroço pra lá”.

Segundo ela, os alunos se inspiraram em um projeto de uma universidade particular do Estado, que criou concreto permeável feito com semente de açaí.

Campeões do Marajó


Os estudantes de uma escola de robótica de Soure, no arquipélado do Marajó, levaram o primeiro lugar na categoria inovação do concurso, que contou com 22 equipes participando na etapa norte do Brasil. A selecão listará nacionalmente trabalhos para o campeonato internacional.

A equipe marajoara foi composta por estudantes de 10 a 16 anos: João Henrique Luibran, Victoria Silva, Bianca Moura, João Dias Neto, Leonardo França, Stanley Fonseca, Kauê Oliveira e Eduarda Silva.

Agora eles concorrem à vaga pra etapa nacional, que deverá ocorrer em São Paulo: ficaram na sétima posição geral, ocupando assim na suplência para a próxima etapa.

O professor Luibran, responsável pela equipe, avaliou como muito feliz o desempenho. A escolinha de robótica à qual os alunos premiados estão vinculados funciona há um ano e meio.

Nas redes sociais já circulam chamadas para uma carreata de recepção da equipe. A concentração será nesta segunda feira (3), às 10h, em frente à escola dos estudantes e segue pelas ruas da cidade até o trapiche de Soure.