A mãe das três crianças mortas durante o incêndio em um casarão em Paraty, Costa Verde do Rio, teve uma melhora no quadro de saúde. A jovem Dara de Almeida Santos de Souza, de 25 anos, inalou muita fumaça e está internada no Hospital Praia Brava, em Angra dos Reis. Segundo a família, ela não corre mais risco de morte. No entanto, a mulher ainda não lembra o que aconteceu no dia do crime e nem sabe da morte dos filhos.

“Hoje (domingo) o pai conseguiu vê-la e ela estava acordada, tossindo muito. Ela não perguntou pelas crianças, não lembra de nada do que aconteceu naquele dia. A Dara disse que queria ir para a casa dela, parece que não lembra do incêndio. Ela está melhor, fora de perigo, graças a Deus. Não sabemos quando vamos contar para ela que os seus três filhos morreram. O médico pediu para esperar mais, talvez depois dela sair do CTI”, explica um tio de Dara, que preferiu não ser identificado.

Ainda de acordo com a família de Dara, ela tem um ferimento no rosto e arranhões nos braços, “como se tivesse apanhado”. Ela foi encontrada pelos bombeiros dentro do banheiro da casa.

A Polícia Civil aguarda Dara ter condições de falar para poder ouvir seu depoimento. O titular da 167ª DP (Paraty), delegado Marcelo Russo, que investiga o caso, diz que, até agora, a equipe médica avalia a paciente como “impossibilitada de falar”. Ela teve grande parte do pulmão afetado, assim como as vias aéreas superiores.

“Primeiro, nós entraremos em contato com os médicos para saber se ela já pode falar. Confirmada essa condição, uma equipe irá até a unidade para ouvi-la ainda no leito do hospital”, afirma o delegado.

A polícia vai pedir a prisão preventiva de Fernando Evangelista, de 36 anos, detido como autor do incêndio e transferido para a Cadeia Pública Franz de Castro, em Volta Redonda, Sul Fluminense. Nesta segunda-feira, ele será apresentado ao juiz em uma audiência de custódia para decidir sobre a prisão. Na avaliação da polícia, o crime foi premeditado. O delegado conta que, dois dias antes do incêndio, ele já indicava que poderia incendiar a casa onde moravam.

“Ele não chorou, não se arrependeu. Foi motivado pelo ciúme, queria se livrar das crianças e ficar apenas com Dara. Tanto que deixa ela protegida dentro do banheiro da casa, resguardada do fogo. Ele esteve na casa da sogra, na quarta-feira anterior, e disse que um dia chegariam em casa e veriam os bombeiros com todos mortos. Na minha convicção, premeditou o crime. Ele criou uma história que, lá na frente, o isentasse da responsabilidade”, explica.

Fernando tem uma passagem na polícia. Agora, ele responde por crimes com penas que podem chegar a mais de cem anos: três homicídios qualificados por emprego de fogo e ampliados pelo fato das vítimas terem menos de 14 anos; tentativa de feminicidio contra a mãe das crianças, hospitalizada, com dolo eventual; e ainda pelo crime de incêndio em local habitado.

O sepultamento dos irmãos Marya Alice de Almeida Santos da Conceição, de 4 anos, Cauã de Almeida Santos da Conceição, de 5, e Marya Clara de Almeida Santos, de 7, reuniu cerca de 150 pessoas no Cemitério Municipal de Paraty, na tarde de sábado