Oferecer um lar e uma nova família a pessoas que vivem nas ruas de Belém. Essa é a missão do abrigo João de Deus, localizado na travessa Joaquim Távora, no bairro da Cidade Velha, e que há quase 40 anos presta auxílio social aos que mais necessitam. Hoje, a instituição sem fins lucrativos abriga 24 pessoas, conta com nove funcionários e se sustenta a partir de doações da comunidade. No entanto, as dificuldades estão cada vez maiores, e o abrigo iniciou campanha para a contratação de novos voluntários técnicos, tais como médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, dentre outros.

O abrigo foi fundado em 1981, pelo padre xaveriano Francisco Gugliotta, sacerdote italiano que trabalhava como pároco na Igreja das Mercês, situada no centro comercial de Belém. Próximo ao local, viviam várias pessoas em situação de rua, que diariamente buscavam abrigo na porta da igreja. Um dia, um morador de rua entrou no refeitório onde os padres tomavam café, e perguntou: “Padre, cadê meu lugar?”. A frase ficou na cabeça do padre, que contou o acontecido aos paroquianos, e após uma missa, um homem ofereceu uma casa, que viria a se tornar o abrigo João de Deus, batizado em homenagem ao Papa João Paulo II.

Irmã Goreth Soeiro, coordenadora da instituição, diz que voluntários ajudam a manter a obra
Irmã Goreth Soeiro, coordenadora da instituição, diz que voluntários ajudam a manter a obra (Akira Onuma / O Liberal)

“Desde o início, o abrigo atende pessoas em situação de rua, doentes e sem vínculo familiar”, diz irmã Goreth Soeiro, coordenadora da instituição. Ela conta que todas as pessoas abrigadas passam a residir na casa, recebendo alimentação, medicação, roupas, auxílio social e psicológico, além de atendimento médico. Este último é realizado graças à parceria com o Centro Universitário do Pará (Cesupa), que utiliza o local como campo de estágio, oferecendo serviços de geriatria duas vezes por semana para os moradores do local.

Dos nove funcionários que atuam no abrigo, quatro são cuidadores, sendo que cada um atua em um plantão, em regime de revezamento. Entretanto, de acordo com a coordenadora, o quadro de funcionários ainda é insuficiente para atender à demanda. “Nós precisávamos ter dois cuidadores por plantão. Também precisamos de enfermeiro e de assistente social. Nós trabalhamos com alguns voluntários, mas não são fixos”, afirma. Além disso, muitas vezes a quantidade de doações é insuficiente, o que dificulta o pagamento da folha salarial de alguns profissionais. Por isso, o abrigo João de Deus reforça que necessita de doações para continuar funcionando.

Hoje, a instituição sem fins lucrativos abriga 24 pessoas, conta com nove funcionários e se sustenta a partir de doações da comunidade.
Hoje, a instituição sem fins lucrativos abriga 24 pessoas, conta com nove funcionários e se sustenta a partir de doações da comunidade. (Akira Onuma / O Liberal)

Além de ajuda financeira, as maiores dificuldades são em relação à alimentação, principalmente às proteínas. A instituição também está precisando de colchões hospitalares, materiais de higiene e de enfermagem. Quem estiver interessado em colaborar pode ir diretamente à sede do abrigo, localizada na travessa Joaquim Távora, nº 305, entre as ruas Cametá e Dr. Malcher, abertao das 8h às 12h e das 14h às 17h, de segunda à sexta-feira, e até meio dia aos sábados, ou buscar mais informações através dos números (91) 3241-3195 e (91) 98038-6816.