Dezenas de familiares, amigos, vizinhos e outras dezenas de desconhecidos foram no final da manhã desta sexta (24) ao enterro da jovem Jennyfer Karem Monteiro, de apenas 20 anos. O clima foi de muita comoção, após um velório realizado desde ontem, quando foi confirmada a morte da jovem – uma das sete vítimas identificadas pela polícia na apuração dos ataques já conhecidos como o dos maníacos de Marituba.

Os presentes deram o último adeus em um cemitério particular situado em Marituba, região metropolitana de Belém. O enterro da jovem manicure foi marcada por muita dor e desespero. 

Os pais de Jennyfer precisaram ser amparados por familiares. A irmã dela, que também foi vítima do “maníaco de Marituba”, desabou. “Por que Deus não deu força para ela escapar…  como deu para mim? Por que Deus não deu outra chance para ela como deu para mim? Eu fiz de tudo para ajudar a minha irmã, mas eu não consegui. Me perdoa, minha irmã…”, desesperou-se a irmã de Jennyfer. “A minha era tão bonita, tão jovem, ela não merecia passar por isso. Acorda ela, não deixa jogar terra nela, deixa eu ir com ela, por favor…”, gritou, em choque.

Às 11h50 o caixão de Jennyfer desceu à terra, sob muitos aplausos, lágrimas, gritos e balões brancos no céu. 

Vítima estava em estado grave


Jennyfer é a segunda jovem morta após os crimes, que envolvem uma série de estrupos, roubos e também assassinatos, cometidos desde junho passado no município. A jovem foi estuprada e brutalmente espancada por um adolescente de 17 anos, no dia 11 de janeiro, em Marituba. A outra jovem assassinada é Samara Mescouto, que faleceu dia 10

A jovem manicure teve morte encefálica confirmada pelo Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, no final da noite desta quarta-feira (22), por volta de 23h. Jennyfer estava internada na instituição de saúde em estado gravíssimo e em coma induzido há precisamente 10 dias. Na última terça-feira (21), familiares já haviam informado que Jennyfer teria tido morte encefálica, mas precisavam de confirmação médica após observação e exames que comprovariam a ausência permanente e irreversível de todas as funções cerebrais, o que ocorreu na quarta-feira.

Nesta quinta, pela manhã, familiares e o namorado de Jennyfer, devastados, aguardaram a liberação do corpo dela no Instituto Médico Legal (IML), que aconteceu às 11h10.

Crimes são apurados


Sete mulheres estão entre as vítimas dos casos que envolvem estupros em série, em Marituba – incluindo a esteticista Samara Mescouto, encontrada morta no final da tarde de domingo (12), em um matagal situado no conjunto Beija-Flor, às proximidades da residência de um dos suspeitos do crime.

O primeiro caso de estupro foi registrado ainda em junho do ano passado, confirmou, no dia 13 de janeiro, o delegado geral de Polícia Civil, Alberto Teixeira, após a prisão dos dois envolvidos no caso. Um dos suspeitos abordava as vítimas pelas redes sociais.Ainda no domingo (12), horas antes da descoberta do cadáver de Samara Mescouto, um homem identificado como Jederson Menezes Alves, de 20 anos, foi preso. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido. Ambos foram apontados como suspeitos de roubar, estuprar e assassinar a esteticista.

Além do feminicídio, o adolescente é apontado como responsável pelos raptos e estupros de pelo menos seis mulheres, incluindo Samara e Jenyfer. Uma sétima vítima conseguiu fugir antes de sofrer abuso sexual. Jederson Menezes Alves estaria envolvido apenas no caso da morte de Samara Mescouto, porém a participação dele nos outros crimes ainda não foi descartada.

Samara Mescouto foi encontrada morta no dia 12, mas não foi possível precisar a data da morte, apesar da perícia acreditar que tenha sido assassinada no dia de seu desaparecimento, ou seja, dia 10 de janeiro. Ela foi a terceira vítima de estupro registrados pela Polícia Civil em Marituba. Já as duas irmãs foram a quarta e quinta vítimas dos maníacos de Marituba. 

Denuncie

Quaisquer informações que possam ajudar na elucidação do crime, podem e devem ser repassadas às autoridades policiais pelo Disque-Denúncia (181) ou junto ao Centro Integrado de Operações (190). Não é necessário se identificar e a ligação é gratuita. A redação integrada de O Liberal também recebe a qualquer momento denúncias e informações de ocorrências em texto, áudio, fotos e vídeo pelo WhatsApp: basta contactar no número (91) 98439-8833. As ligações são gratuitas.