O médico doutor oncologista paraense Luis Eduardo Werneck, PHD especialista em oncologia clínica e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, desenvolve uma pesquisa inédita acerca do uso de um novo medicamento para tratamento de câncer de pulmão, e, para isso, atuará com 20 pacientes em Belém do Pará. Werneck esteve recentemente em Nova York, nos Estados Unidos, onde apresentou os últimos dados desse estudo científico mundial de fase três da enfermidade que ele realiza a partir da capital paraense.

“Trata-se de uma medicação que não está padronizada no SUS (Sistema Único de Saúde) e, por isso mesmo, é uma grande oportunidade para somente 20 vagas no estudo. É o primeiro estudo de câncer de pulmão mundial que é feito na Amazônia. São 20 pacientes apenas que terão a condição de ser elegíveis para o estudo e vão poder usar essa medicação nova, que já nos primeiros testes demonstrou um excelente resultado”, afirmou o médico. Informações sobre o projeto podem ser obtidas por meio do telefone 3223-5800, da Oncológica do Brasil Unidade Doca. Luis Eduardo Werneck é diretor médico do grupo Oncológica do Brasil.

De cada cinco mortes por câncer no Brasil, uma está relacionada ao câncer de pulmão. O custo anual no País para tratamento de pacientes nas redes pública e privada é de R$ 1 bilhão.

Esperança

Como a medicação não estar padronizada no SUS e já que a pesquisa clínica não pode em território nacional ser cobrada, os pacientes em Belém terão o privilégio de fazer o tratamento com o medicamento mais promissor no mundo a custo zero. Todo o estudo é patrocinado. ‘Isso é uma grande oportunidade para o paciente do Pará. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), “em 2019 o número de casos de câncer de pulmão apresentou redução de 72% em relação ao ano de 2018. Em 2019, foram registrados 45 casos, destes, 27 do sexo masculino e 18 do feminino”.

O médico Luis Eduardo Werneck está envolvido também em outro estudo internacional, cujo paper foi lançado em novembro de 2019 nos Estados Unidos e em um evento no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, de que “pela primeira vez em 50 anos comprovou que há benefício de nós fazermos uma política de prevenção por meio de rastreamento com tomografias anuais de tórax para alguns grupos de pacientes, para se descobrir mais precocemente o câncer de pulmão e, com isso, o custo do tratamento para o Sistema Público será muito menor e as pessoas conseguem viver mais a partir de um diagnóstico mais precoce”. Esse estudo foi publicado em dezembro de 2019 pela Associação Americana de Oncologia Clínica, e, inclusive, nos EUA o procedimento já é adotado.

O câncer de pulmão é um dos mais agressivos que acometem tanto o homem quanto a mulher. A enfermidade pode ocorre nos estágios um, em que a doença é limitada somente ao pulmão, até o estágio quatro, quando se tem a metástase (disseminação) para outros órgãos, especialmente para o outro pulmão, ossos e para o fígado. O caso se agrava quando a metástase é para o sistema nervoso central, no caso, o cérebro.

Em termos de diagnóstico, o exame comprobatório para que se identifique uma doença como câncer de pulmão é a biópsia. Esse exame pode ser realizado de duas maneiras: a primeira, mais tradicional, por meio do exame chamado broncoscopia, e por uma maneira mais moderna, com participação do radiologista intervencionista, a biópsia guiada por tomografia, na qual se insere uma agulha até a lesão por meio da pele do paciente e se retira o material suspeito de ser maligno. Esse material é enviado, então, para exames laboratoriais.

Com relação ao tratamento, esse processo mudou muito nos últimos cinco anos. Há cirurgias, dependendo das condições gerais do paciente, no estágio um ou dois; se for três ou quatro, são utilizadas técnicas mistas combinando tipos de tratamento. Nesse último caso, o tratamento pode ser a combinação de cirurgia com quimioterapia, combinação de radioterapia com quimioterapia, combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia ou o tratamento mais moderno, que é o tratamento com imunoterapia.

A diferença entre a quimioterapia e a imunoterapia é que, na primeira, as medicações são praticamente tóxicas diretamente contra o tumor e também contra as células sadias. E na imunoterapia o mecanismo é diferente: as medicações que são infundidas no paciente-alvo tendem a tentar recrutar, ensinar o sistema imunológico do próprio paciente a combater as células malignas, ditas células cancerígenas.

Esse tratamento imunoterápico é, inclusive, realizado pela Oncológica do Brasil em Belém, com o mesmo padrão e as mesmas medicações que são usadas em São Paulo, como no Hospital Albert Einstein. O resultado de tratamentos de pacientes dobrou nos últimos anos; há pacientes já sem focos de metástase.

Luis Eduardo Werneck alertou que a incidência do câncer de pulmão entre as mulheres no mundo. Como causa se tem o hábito de fumar entre as mulheres, já que o fumo exerce um papel estrutural para a incidência da enfermidade nos seres humanos