A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Parauapebas, que apura o homicídio da bebê de um ano e oito meses que foi espancada e estuprada pelo padrasto, com a anuência da mãe, em Parauapebas, no sudeste do Pará, concluiu, através de investigações, que a criança era constantemente agredida para que o acusado pudesse manter relações sexuais sem que a menina chorasse e chamasse atenção dos moradores do entorno. A bebê, conforme apontaram as apurações policiais, era espancada pelo padastro até desmaiar, para que não chorasse durante os estupros cometidos pelo abusador. Os dois acusados de estupro de vulnerável e tentativa de homicídio são Deyvid Renato Oliveira Brito, de 31 anos, e a mãe da vítima, Irislene da Silva Miranda, de 28. Ambos foram presos no dia 8 de janeiro. Deyvid já havia sido acusado de outro estupro de vulnerável em Icoaraci, em Belém, em 2017.

As informações foram confirmadas nesta quinta-feira (16) pela delegada Ana Carolina Carneiro de Abreu, titular da Deam de Parauapebas, que coordena as investigações do caso.

Ainda segundo as averiguações da Polícia Civil, o depoimento da mãe da bebê é falso. Em declaração à polícia, a acusada disse que na hora do estupro da criança ela havia ido ao supermercado e portanto não pôde evitar o crime. Após análises nas câmeras de segurança do supermercado, entanto, ficou constatado que Irislene jamais esteve no estabelecimento no dia em que a criança foi agredida e estuprada. Com isso a Polícia Civil concluiu que a acusada esteve na residência junto com o agressor durante todo o dia e presenciou as atrocidades cometidas pelo abusador.

De acordo com laudo do Instituto Médico Legal (IML), ratificado pela delegada, a criança morreu de traumatismo crânio encefálico, em decorrência do espancamento. A criança deu entrada Hospital Municipal de Parauapebas no dia 7 de janeiro, por volta de 14h30. Na instituição de saúde, foi feita reanimação da bebê, que já chegou desacordada, durante 20 minutos. A vítima foi entubada e conduzida para ventilação mecânica, devido ao coma profundo. No hospital, a mãe da menina disse, à princípio, que a vítima teria caído no chão. As lesões na cabeça da menina, contudo, sugeriram aos profissionais de saúde que o relato da mãe não era verídico. Na sala de emergência, enfermeiros observaram lesões nas partes íntimas da menina, indicando abuso sexual. Ao ser confrontada pela polícia, a acusada admitiu os estupros cometidos pelo marido e disse que Deyvid abusada da bebê sempre que ela, a mãe, se recusava a manter relações sexuais com ele.

A criança seria transferida para a Unidade de Terapia Intensiva Infantil do Hospital Regional de Marabá, mas não resistiu às agressões e morreu no dia 8 de janeiro, às 15h.

Na última segunda-feira (13), a Polícia Civil disse que podem chegar a onze as vítimas de abusos e estupros cometidos por Deyvid Brito. Segundo investigações, ele ameaça matar familiares e amigos das vítimas caso denunciassem os abusos sexuais. A mãe de uma adolescente inclusive procurou a redação integrada do jornal O Liberal nesta semana para denunciar que sua filha, à época com 13 anos, também havia sido vítima de abuso sexual praticado por Deyvid. Ela contou que só teve coragem de denunciar o abusador após a prisão, por medo do que ele pudesse fazer a sua filha e sua família.

As linhas de investigação para apurar o assassinato da criança ainda não foram concluídas, mas a Polícia Civil também afirmou ter recebido denúncias de vizinhos do casal apontando práticas satânicas na residência dos acusados. Segundo os vizinhos dos acusados, a criança era oferecida em rituais de magia satânica e agredida e abusada sexualmente durante as sessões.

Na residência do casal, os policiais encontraram artefatos, objetos misteriosos, ossos humanos e altares que indicam a existência de práticas religiosas macabras