É difícil ser mulher no Brasil. Em compensação, aos poucos, não tem sido mais tão fácil a vida de homens brasileiros que usam uma sociedade feminicida como escudo para agredir, violentar a até matar suas companheiras.

Os goleiros Bruno e Jean e o cantor sertanejo Victor são as mais recentes provas de que a mamata acabou para os machistas. Cada um deles com sua história particular, seus níveis de violência e covardia, penas a cumprir ou satisfações a dar à sociedade e aos seus fãs, servem como (maus) exemplos de que o país pode mudar.

E a discrepância entre o ocorrido entre eles e suas mulheres (todas inquestionavelmente vítimas) também podem servir para aprimorar o julgamento inevitável que a opinião pública estabelece de imediato. Cuidado nunca é demais.

Deixando para o leitor hierarquizar o crime e o castigo de cada um, algo se torna gritante: há casos e casos. E nós jamais saberemos o que de fato aconteceu para além das informações que nos chegam – muitas vezes filtradas por interesses pessoais, inquéritos vazados e má apuração jornalística.

São vidas. De mães, pais, filhos, parentes. Se mesmo cumprindo pena, ou prestando contas à polícia e ao Judiciário, o tribunal das redes sociais continua exigindo punição – com sólidos argumentos –, é porque avançamos. A justa intolerância com homens que praticam abuso e violência deve ser vista como conquista coletiva.

Mas cada caso sempre vai ser único. Não há uma régua só, a ser usada sem margem de erro. Vamos continuar vigilantes. E começar a prestar atenção também em nossos julgamentos. Em briga de marido e mulher, se mete a colher. E a gente que se resolva.