O preço do gás teve reajuste positivo de 16,4% no Pará ao longo de 2019, de acordo com o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do Estado do Pará (Sergap), sendo que 12% chegaram ao consumidor. Esse índice é resultado de vários aumentos no preço do gás vendido pela Petrobras – de 1,04% em fevereiro, 3,44% em maio, 5,3% em outubro, de 4% em novembro e 5% em dezembro, enquanto, em agosto, houve queda de 2,14%. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Esse reajuste total foi muito alto na comparação com a inflação estimada em 3% no ano passado, na avaliação do presidente do Sergap, Francinaldo Oliveira. Ou seja, as altas foram quatro vezes superiores à inflação. Esses reajustes valeram para todos os tipos de gás liquefeito de petróleo (GLP), incluindo os botijões de uso doméstico de 13 quilos e os industriais, com embalagens acima desse peso.

Conforme explicou Oliveira, os aumentos na Petrobras ocorrem porque a empresa baseia seus preços nos comercializados internacionalmente: “na Europa, nessa época, aumenta o consumo do GLP para aquecimento. Com o aumento da demanda também aumenta o preço”, explicou. Ele também afirma que a alta do gás ao longo do ano sofreu impacto do preço do dólar, que chegou a bater R$ 4,26 e agora está na casa de R$ 4,06.

Para o presidente da Sergap, os índices são prejudiciais ao consumidor, seja residencial ou comercial, e são péssimos para as distribuidoras, já que, segundo ele, as práticas de revenda diminuem ou têm uma margem de lucro menor. A consequência, na opinião dele, da retração do consumo é que as empresas ficam fragilizadas e tentam burlar leis trabalhistas e tributárias para aumentar a margem de lucro. “Todos perdem”, disse Oliveira.

O último levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que, em dezembro, o botijão de 13 kg foi vendido a uma média de R$ 75,73, variando entre R$ 68 e R$ 95 no Pará. Em Belém, no mesmo período, o preço médio do botijão de gás foi de R$ 69,66, sendo o menor preço R$ 68 e o maior R$ 82. Nos outros municípios paraenses, os que têm o botijão de gás mais caro são Paragominas (R$ 94,25), seguido de Xinguara (R$ 92), Altamira (R$ 87,43), Redenção (R$ 87) e Itaituba (R$ 84,60).

A recepcionista Mariela de Andrade, de 32 anos, disse que o ano de 2019 foi muito ruim economicamente. “Tudo aumentou, todas as contas continuaram difíceis de pagar. Disseram que depois da eleição viria estabilidade e até agora estamos pagando o preço alto. Com o gás não foi diferente, quando acaba tenho que dar meu jeito de arranjar quase R$ 100 para poder comer”, disse a consumidora.

Já a acadêmica de Nutrição Rosiane Miranda, de 24 anos, mora sozinha na capital e também precisa se preocupar com o dinheiro para pagar o gás. “Vendo bombons naturais na faculdade, foi uma forma que encontrei de exercer um pouco a minha profissão e ganhar dinheiro. Tudo que vou ganhando já separo para as contas do mês e assim que consigo o valor pago a conta, mesmo com antecedência. O gás também deixo separado e compro assim que acaba, mas é um valor alto, quase o mesmo da energia elétrica”.

Ainda de acordo com o presidente da Sergap, as altas vão de encontro ao que o governo havia prometido, de redução no preço do gás. “Com uma inflação mais ou menos controlada, ter o gás aumentando sem controle afeta a economia, porque precisamos de estabilidade”, pontuou.