reprodução

A busca por materiais escolares já movimenta as lojas especializadas em Belém. Nesta quinta-feira (2), os pais saíram de casa com suas listas em busca dos melhores preços. Cadernos e mochilas, de acordo com consumidores de uma grande papelaria da capital, foram os itens que ficaram mais caros em comparação com o ano passado. Quem tinha mais de um filho aproveitou o dia de compra para procurar as promoções, além de optar apenas pelo essencial, já que materiais comprados no ano passado poderão ser reaproveitados.

A menina Isadora Brasil, de dois anos e meio, estava agitada e curiosa com tanta variedade de produtos escolares. Sua mãe, Bruna Brasil, de 30 anos, que trabalha como vendedora, afirma que deixou as compras para o início do ano por não ter conseguido adquirir os materiais escolares em dezembro. “Geralmente, inicio as compras em novembro ou dezembro, para não passar muito sufoco. Mas dessa vez não foi possível, já que as compras para o Natal e para a ceia do ano novo levaram todo o dinheiro”, conta, com bom humor.

De acordo com os cálculos da vendedora, cadernos e mochilas foram os produtos que tiveram aumentos de preços explícitos, embora considere que é preciso avaliar os valores de acordo com os modelos e as marcas. “Da lista da Isadora, eu notei que massa de modelar e canetas foram os itens mais em conta. E os mais caros foram cadernos e a mochila. Mas não tive problemas para comprar porque fui fazendo uma reserva financeira ao longo do ano. Guardando sempre um pouquinho ali, outro tanto aqui. Você precisa ser responsável, não tem jeito, já que é um gasto que você sabe que terá que fazer, invariavelmente”, aconselha.

No dia 14 de janeiro, a menina Luana Vieira, de 13 anos, terá que voltar às aulas, e seu irmão Rodrigo, de quatro anos, em fevereiro. Para que tudo esteja preparado para o primeiro dia de estudos, a promotora Luciana Vieira, de 33 anos, decidiu comprar todo o material dos filhos de uma vez. “Escolhi uma loja onde tem tudo para que não precise ficar procurando muito. Acho que, por ainda ser o segundo dia do ano, não tive sufoco algum. Foi bastante tranquilo e não achei os preços caros. Mas também só comprei o essencial, o que não poderíamos deixar de comprar, como resmas de papel e cadernos. Lancheira que comprei antes, por exemplo, irei aproveitar”, afirma.

O marido de Luciana, Wagner Lima, que é fiscal de loja, diz que aproveitou as folgas para fazer as compras. “Eu trabalhei no fim do ano, por isso não tive tempo para comprar. Para o pagamento, utilizei o cartão de crédito, para ir pagando aos poucos. Nem foi possível utilizar uma parte do décimo terceiro, já que não restou nada. O jeito é parcelar”, relata.

Já a professora Luana Lopes, de 29 anos, disse que não pode se dar ao luxo de deixar as compras para cima da hora, por ser mãe de Maria Fernanda, de um ano e meio; Maria Eduarda, de 11 anos; e Ana Beatriz, de 12. “Desde o meio do ano, lá pelo mês de junho, já começo a fazer o planejamento. Aí vou separando itens que acho que estão com um preço bom, e vou pesquisando em vários lugares para poder comparar. O que notei agora é que os cadernos e as mochilas estão mais caros”, afirma também. “É claro que o preço é importante, mas também prezo pela qualidade do que estou comprando”, completa.

Procon orienta sobre compra de materiais

Uma das formas de não gastar muito com a compra do material escolar é ficar atento à lista oficial divulgada pela Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), vinculado à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh). O documento liberado pelo órgão será utilizado como modelo para instituições públicas e particulares de ensino em todo o Estado e para os pais e responsáveis.

Entre as definições do Procon para o ano de 2020 consta que produtos de limpeza, expediente, higiene e outros que não têm relação direta com as atividades desenvolvidas no processo de aprendizagem não podem constar da lista fornecida pela escola, com base na Lei Federal 9.870/99, que regulamenta os itens que podem ou não serem cobrados aos pais dos alunos.

De acordo com o diretor do órgão, Nadilson Neves, embora a legislação seja específica, ainda existem estabelecimentos que insistem em incluir itens de uso coletivo na lista de material fornecida aos pais dos alunos. “A lista do Procon pode ser utilizada para nortear os pais ou responsáveis dos alunos sobre o que pode ou não ser exigido”, comentou. O documento fica disponível no site www.procon.pa.gov.br.

O órgão também listou produtos que podem ser pedidos, mas com limites, para alunos matriculados em período integral. A instituição de ensino pode incluir na lista os materiais de higiene, como shampoo, sabonete, escova e creme dental, por exemplo, mas não pode condicionar a compra de livros e/ou materiais escolares a uma loja ou marca específica, por ser considerada uma “prática abusiva”, segundo Neves. Em casos de irregularidades, os pais devem ir à sede do órgão, com a lista em mãos, para registrar a denúncia. Segundo o titular da Sejudh, Rogério Barra, a partir disso, o Procon tomará as medidas cabíveis.