reprodução

Há um mini lixão informal se formando no bairro de Fátima. Fica na rua Antônio Barreto, entre as travessas Três de Maio e 14 de Abril. Bem em frente à casa de dona Rosemary Miranda. A sujeira não é só um incômodo particular. Está limitando a mobilidade de pedestres, pois o lixo já tomou conta da calçada. A idosa diz não entender como um dia o bairro já foi considerado área nobre, se hoje está tão abandonado.

Rosemary diz não conseguir mais nem identificar de onde vem o lixo. Antes, achava que vinha de uma vila próxima à casa dela. Mas agora diz ver muitas pessoas estranhas trazendo todo tipo de resíduos. E entulhos, incluindo móveis. Quando ela reclama, conta, é ofendida e feita de piada. Mas não tem graça nenhuma para ela, que está tendo dificuldades em respirar pelo fedor.

“Eu sou alérgica e não posso sentir cheiros fortes. Estou dormindo à base de remédios. E me preocupo com meu filho. Ele vende comida e essa sujeira está chamando moscas, baratas. Não é bom. Tem vaso sanitário aí. Outro dia, veio uma moça e jogou uma cadeira. É uma porcaria e dizem que quero ser a dona da rua. O caminhão do lixo até passa, mas não recolhe tudo. E as pessoas vão achando que é lixão e continuam jogando”, criticou Rosemary.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) garantiu que vai recolher o lixo ainda nesta semana. Rosemary espera que seja antes do Natal, para que ela possa passar com a família dela, sem fedores invadindo o imóvel.

Existem mais de 100 pontos críticos de despejo irregular de lixo na Região Metropolitana de Belém. O levantamento é da Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil, feito em 2017. É um crime ambiental difícil de flagrar e punir, mas dá cadeia por ser inafiançável.

Poluidores podem ser denunciados ao Disque-Denúncia (181) — no qual não é preciso se identificar, mas pode demorar mais um pouco — ou ao Centro Integrado de Operações (Ciop 190), que é mais rápido e imediato. Em 2017, duas pessoas foram presas, em flagrante, pelo descarte irregular de lixo.