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Comandado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, o programa Pátria Voluntária deve ser transferido do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. Com a mudança do programa, pode ser que Michelle também se mude para uma sala do Palácio do Planalto e passe a despachar próxima do presidente Jair Bolsonaro. Isso, no entanto, ainda não está fechado. A palavra final seria dela.

Michelle é presidente do Conselho do Pátria Voluntária. A transferência da estrutura é tratada como prioritária, conforme documentos internos do governo.

O colegiado do programa discutiu um “plano de ação” no começo deste mês para turbinar os trabalhos em 2020. A ideia é dar “novo impulso ao engajamento e à participação” da população em questões sociais. Para isso, a ideia é trazer novos representantes ao conselho, incluindo pessoas de fora do governo.

A minuta de “exposição de motivos” que será apresentada a Bolsonaro para pedir a transferência de cargos da Cidadania e da Economia à Casa Civil está pronta. “Solicita-se a máxima urgência na análise da proposta (de mudança dos cargos), em vista de se tratar de prioridade governamental”, diz ofício da Casa Civil sobre as discussões. O mesmo documento afirma que a ideia é “aprimorar a gestão do referido programa, tendo em vista o caráter transversal de suas ações e projetos”.

Em gestões anteriores, as ex-primeiras-damas Marisa Letícia da Silva e Marcela Temer despacharam em sala no 3º andar do Palácio do Planalto, com vista para a Praça dos Três Poderes, a poucos metros do gabinete do presidente. O espaço, porém, está agora ocupado.

Reforma

A sala em que Michelle trabalha, no Bloco A da Esplanada dos Ministérios, tem dois espaços e 292 m². Para receber a primeira-dama e o conselho do Pátria Voluntária, o local passou por reformas em 2019. As obras custaram R$ 328,8 mil.

Nos bastidores, a equipe do ministro da Cidadania, Osmar Terra (MDB), argumenta que a mudança do Pátria não é resultado de desgaste entre ele e Michelle. A primeira-dama e o ministro participam juntos de evento nesta quarta-feira (18) para lançar o Projeto Sinais, que trata da inclusão de surdos em ações de esporte do governo.

Recentemente, Terra perdeu o controle da Secretaria Especial de Cultura. A pasta foi transferida ao Ministério do Turismo como forma de abrigar o dramaturgo Roberto Alvim, opositor do ministro do MDB, que virou secretário da cultura de Bolsonaro.

Procurados, os Ministérios da Cidadania e da Casa Civil não se manifestaram sobre a mudança no programa encabeçado por Michelle Bolsonaro. “Quaisquer informações sobre o Pátria Voluntária serão divulgadas oportunamente”, afirmou o Palácio do Planalto.