A grave crise econômica que atingiu a Venezuela nos últimos seis anos fez o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país despencar. O relatório com os números de 2018, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mostra que a queda continuou no ano passado.

O índice venezuelano caiu de 0,761 em 2017 para 0,726 no ano passado, numa escala que vai de 0 a 1 (quando mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento humano). Com isso, o país foi ultrapassado no ranking da América do Sul por Equador (0,758), Brasil e Colômbia (0,761 cada).

O resultado também colocou a Venezuela abaixo do IDH médio da América Latina e Caribe, que ficou em 0,759. Cinco anos antes, em 2013, o país tinha o quarto melhor resultado do continente, com 0,770.

A renda nacional bruta per capita, de US$ 9.070 (cerca de R$ 37,5 mil) ao ano, ficou entre as piores do continente, o que ajudou a reduzir o índice do país. A do Brasil, por exemplo, ficou em US$ 14.068 (cerca de R$ 58,2 mil) anuais, cerca de 55% a mais.

Crise e fuga

Na prática, isso significa que a crise financeira que se iniciou em 2013, com a grande desvalorização do petróleo, principal item exportado pela Venezuela, reduziu de forma significativa a qualidade de vida do povo venezuelano. Milhões de pessoas deixaram o país no período por causa disso.

O Fundo Monetário Internacional estima que o PIB da Venezuela caiu pela metade nos mais de cinco anos de crise e, em outubro, o acumulado de inflação para os nove primeiros meses do ano chegou a mais de 3.000%.