A nova greve geral na Colômbia, convocada para esta quarta-feira (27) pelos movimentos sociais e sindicais, tende a exceder em tamanho e em indignação a paralisação realizada há seis dias.

A população ainda protesta contra as medidas neoliberais do presidente Ivan Duque e o não cumprimento do acordo de paz que pôs fim à guerra civil colombiana, mas também se revoltam contra a morte do estudante Dilan Cruz.

O jovem de 18 anos estava se formando no ensino médio e sonhava com a chance de estudar administração em alguma universidade colombiana. No país, as universidades públicas são pagas e ele era uma das milhares de pessoas que pediam maiores chances de acesso à educação superior.

No final da manifestação, Cruz pegou uma das granadas de gás jogadas pelo Esquadrão Móvel Anti Distúrbio, o ESMA, e ia jogar de volta nos guardas, quando um deles disparou no estudante. Em um vídeo, que circula pelas redes sociais, é possível ver a hora em que Dilan é atingido na cabeça e cai. Ainda não foi confirmado o que atingiu o menino.

“O que se sabe é que essa munição fica incrustada na cabeça do menino, que vai para o hospital com lesão cerebral grave e morre na segunda-feira à noite”, conta a geógrafa Isabel Perez Alves.

Nesta terça-feira (26), o presidente Ivan Duque se reuniria para conversar com algumas lideranças de movimentos sociais, para discutir as reivindicações da população e tentar achar alguma alternativa para os protestos, mas as conversas foram encerradas depois que Duque se recusou a discutir a retirada do ESMA dos protestos.

Protestos começaram na quinta-feira passada (21)
Protestos começaram na quinta-feira passada (21) Carlos Jasso/ Reuters – 26.11.2019

A luta pela educação

Segundo Isabel, os estudantes são o movimento mais organizado nos protestos. Junto com os sindicatos, os jovens convocaram a greve geral e conseguiram chamar atenção de milhares de

As manifestações têm reivindicações abrangentes, que vão sobre o plebiscito anticorrupção, o cumprimento dos acordos de paz com as FARC, saúde, reforma trabalhista até educação.

Dilan se formaria no colégio na segunda-feira (25), e horas antes da divulgação da morte do menino, sua irmã foi na escola em que ele estudava receber o diploma de conclusão do ensino médio. Ele estava solicitando um empréstimo para tentar entrar em alguma universidade.

“Dilan Cruz representa muito o que o jovem colombiano quer, que é estudar e poder trabalhar”, conta a especialista em Colômbia e professora de Relações Internacionais da FSA, Amanda Harumi.

Uma das outras reivindicações dos jovens é contra o projeto que jovens de até 25 anos poderiam receber menos de um salário mínimo no país.

Repressão violenta

A Colômbia tem um histórico de guerrilhas e movimentos violentos contra o governo. Desta vez, as manifestações em sua maioria seguem pacíficas e os relatos de violência falam sobre a repressão excessiva vindas de forças de segurança. Além de Dilan, outras três pessoas morreram.

A visão repressiva já vinha desde antes da convocação do 21N, a greve geral da última quinta-feira. O presidente Ivan Duque já havia dito que as manifestações teriam saques, vandalismo e que seriam ruins para o país. Com isso, uma repressão violenta já era esperada, diz a pesquisadora da USP, Amanda Harumi.

“A repressão violenta deixa o protesto mais popular”, diz. “A repressão impulsiona e  faz com que a manifestação fique mais forte”.