O abastecimento de combustíveis nos postos do Pará ainda não teve alteração após o início da greve liderada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa uma parcela dos funcionários da Petrobrás, entre eles os trabalhadores das plataformas instaladas na Bacia de Campos. A paralisação das atividades iniciou na última segunda-feira (25) e deve encerrar nesta sexta-feira (29), totalizando cinco dias.

De acordo com a categoria, a reivindicação é pela valorização da segurança e pelo emprego dos trabalhadores, que, segundo a FUP, está em risco por conta das demissões dos últimos anos. No entanto, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) estipulou, na última semana, multa de R$ 2 milhões por dia de paralisação, por considerar que o movimento põe em risco o abastecimento nacional de combustíveis. Mas a federação afirma que apresenta suas reivindicações há anos à empresa sem qualquer retorno.

O assessor jurídico do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Estado do Pará (Sindicombustíveis), Napoleão da Costa, explicou que essa mobilização está sendo realizada pelos trabalhadores das refinarias e ainda não afetou o Pará. “Até este momento, ainda não tivemos notícia de alterações na operação das distribuidoras. Não sabemos se a paralisação vai afetar a distribuição, mas está tudo normal no Estado, até porque a greve se limita à produção”, comentou.

A mobilização iniciou após assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria petroleira, em que houve perdas em relação a direitos históricos, segundo o Sindicato dos Petroleiros do Pará (Sindipetro). “A maior parte da categoria é dirigida pela FUP e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e a primeira indicou aceitação da proposta, porque defendia que era melhor assinar um acordo com perdas do que manter o movimento, visto que havia ‘avanços’ na mediação do TST em relação às propostas anteriores. O encaminhamento da greve, três semanas depois, dividiu a categoria”, disse o órgão.

No caso do Pará, os trabalhadores fazem parte da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e da CSP-Conlutas. Embora os trabalhadores do Estado estejam na oposição à entidade, ressaltam que são contrários à posição do TST de aplicar multa nos dias de movimento, além de reter as verbas dos sindicatos, que são descontadas no contracheque dos associados. “Mesmo não participando desta greve, somos totalmente contrários à multa, por ser uma medida antissindical”, pontuou o Sindipetro.

Além disso, o sindicato ainda informou que, até o momento, não foram afetados a produção, refino, transporte e distribuição de combustíveis em nenhum lugar do Brasil, e o movimento, que já havia começado fraco em muitas bases, está sendo encerrado em diversos locais.

A federação acredita que a Petrobras está descumprindo o ACT. Além de demissões e transferências em massa, a diretoria da empresa teria incluído metas de segurança, saúde e meio ambiente (SMS), como critérios para pagamento de bônus e concessão de vantagens, o que, segundo a coordenação da FUP, além de ferir cláusulas do acordo, podem atingir diretamente interesses da sociedade, por resultar em aumento do desemprego e precarizar o trabalho, o trabalhador e as condições em que atuam. Além disso, a federação contesta os aumentos no preço do combustível.