Embora pesquisa nacional da Boa Vista Serviços, empresa de informações de crédito, aponte que os consumidores da Black Friday em todo o país se preparam para gastar, em média, R$ 460 na data, em Belém, entidades do comércio tem visões diferentes sobre as expectativas para o chamado ticket médio. Para o Sindicato dos Lojistas de Belém (Sindilojas Belém), o valor deve ser menor que a estimativa da Boa Vista, já que o varejo físico não costuma atingir essa faixa em vendas. A Câmara dos Dirigistas Lojistas de Belém (CDL Belém), por outro lado, estima que o valor médio em compras na capital seguirá a média nacional, girando em torno de R$ 450.

“O ticket médio de R$ 460 é muito alto para o mercado local, acredito que ele tem como referência a venda eletrônica e não o varejo físico. Não temos ainda uma estimativa, mas sem dúvida não seguirá o mesmo indicativo”, afirma o presidente do sindicato, Joy Colares.

Já o empresário e presidente da CDL Belém, Álvaro Cordoval, exalta o sucesso que o Black Friday tem tido no Brasil e acredita que o consumo médio na capital deverá ser de apenas R$ 10 a menos que o nacional. “O Black Friday traz promoções que mexem, de fato, com o consumidor, e por isso entrou definitivamente no calendário do comércio. No caso de Belém, destacamos a força do nosso centro comercial, que é um gigante e resistente”, elogia.

Além dos setores de produtos eletrônicos, como celulares, e dos eletrodomésticos, que são apontados pela Boa Vista como os tipos mais procurados – com 43% e 42% da procura no país, respectivamente – os representante do Sindilojas e da CDL concordam sobre o crescimento das vendas presenciais no período.

“Nós sabemos que existe uma questão cultural forte na Black Friday não só em relação ao período de Ação de Graças, nos Estados Unidos, que motivou a venda, como também referente ao comércio virtual, devido à globalização. Mas as lojas começaram a participar e agora você nota forte entrada de sapatarias e lojas de bijuteria”, diz Colares.

Em frente a um shopping de Belém, o técnico em informática Toni Henry afirma que já possui o hábito de fazer compras durante a Black Friday e que seu gasto, neste ano, deve ser de R$ 400. “Compro principalmente roupas em lojas físicas. Não confio em fazer compras pela internet, até porque trabalho com a internet e sei do que pode acontecer. Tenho receio que clonem meu cartão, por exemplo”, relata.

O estudante Patrick Silva, de 19 anos, gosta de planejar suas finanças com bastante antecedência e, assim como Toni, também tem como foco a compra de roupas. “Economizo bastante e gasto em torno de R$ 600, com calças e camisas. Antes eu não confiava muito de que era possível realmente encontrar produtos mais baratos. Mas hoje posso afirmar que, se a pessoa pesquisar bem, encontra descontos de 50%, 60% e até de 70%”, assegura.

O administrador Fábio Viana prefere aproveitar as ofertas para adquirir eletrodomésticos. Já a professora Ana Carolina Matos, que também circulava em frente ao shopping na manhã de terça-feira, 26, afirma que não irá consumir durante a Black Friday. “Pretendo continuar economizando, pois as coisas não estão fáceis”, confessa.

A pesquisa da Boa Vista também identificou que 63% dos entrevistados comprarão produtos que ainda não possuem, enquanto 34% comprarão itens para substituir outros, ou repor os que já possuem; e apenas 3% investirão na data para aproveitar um lançamento ou por desejarem estar na moda/antenado com as novidades. Para 51% dos consumidores, as compras na Black Friday serão planejadas, e para 49%, o momento é de oportunidades que eventualmente encontrem no mercado.