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O grupo de voluntários Venezuelanos Belém – que tem firmes posições contra a Prefeitura de Belém -, está sendo acusado, pela própria prefeitura, de estelionato e difamação. Numa nota, o executivo municipal afirma ter acionado a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), após descobrir que as doações recebidas não chegavam aos refugiados indígenas da Venezuela. A entidade nega as acusações e garante que vai se defender judicialmente.

Na nota, a prefeitura cita a conta @VenezuelanosBelem, no Instagram. No perfil, na rede social digital, há contas e endereços para depósitos e doações. Mas também há fotos das ações desenvolvidas pelos voluntários. O grupo existe desde 2017 e sempre tem sido crítico à gestão dos abrigos. Os espaços são considerados pelo grupo como subumanos e superlotados. Há também cobranças por transparência na gestão das verbas recebidas.

“A Prefeitura de Belém tenta, por meio da nota e denúncia, macular a imagem de um grupo de cidadãos, unidos de forma espontânea, que vem prestando auxílio e, em muitos momentos, fazendo o papel que o poder público deveria fazer, e com isso tentar tirar o foco de sua inércia”, comunicou o grupo, em nota publicada.

“Usamos a nossa conta no Instagram (@VenezuelanosBelem) para alcançar mais pessoas que tem, assim como nós, solidariedade e empatia aos migrantes. É também por meio do Instagram que fazemos toda a prestação de contas das doações que arrecadamos, seja em dinheiro, alimentos, roupas e demais itens. Na rede social, publicamos, diariamente as ações que são feitas”, seguia a nota dos voluntários.
Por fim, o grupo afirmou: “Nós, do grupo Venezuelanos Belém, estamos muito tranquilos com as acusações, cientes de que estamos fazendo nosso melhor e de que estamos disponíveis para quaisquer investigações e esclarecimentos. Nossa equipe jurídica está munida de provas das nossas ações”.

Na nota publicada na última sexta-feira (23), a prefeitura afirma que “…toda a arrecadação não chega a quem é anunciado como destinatário, fato comprovado e que motivou denúncia para que o Ministério Público e a Polícia Civil investiguem o caso”. Até o início da tarde desta terça (26), nem a Polícia Civil e nem o MPPA confirmaram ter recebido as denúncias.

“Diante da denúncia, na última sexta, dia 23, estabelecimentos comerciais cadastrados para receber doações voluntárias abandonaram o projeto. No sábado, equipe da Prefeitura comprovou que nenhuma doação havia sido repassada aos abrigos”, garantia a nota da PMB.