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Aos 27 anos, Thiago Araújo já conquistou, desde 2012, quando foi eleito pela primeira vez,três mandatos, sendo um na Câmara Municipal de Belém e dois na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Deputado mais jovem do Estado, está entre os nomes que vêm sendo cogitados para entrar na corrida à Prefeitura de Belém. Nesta entrevista à repórter Keila Ferreira, ele fala sobre sobre o seu trabalho na Alepa, eleições 2020 e desafios da
capital paraense. Veja a seguir trechos da entrevista:

O senhor tem uma atuação voltada à juventude.
Fazia parte inclusive de uma frente na Alepa para estudar propostas voltadas para a juventude. O que o sr. tem de propostas para os jovens da periferia?
A gente tem ‘cutucado’ frequentemente o fomento da política para o setor da
juventude. O jovem de periferia tem pouquíssima oportunidade. A cada cem jovens que saem do terceiro ano do ensino médio no Estado do Pará, 77% não sabem ler de maneira qualificada e 76% deles não sabem fazer cálculos básicos. Isso é um absurdo! Como você
espera que uma sociedade extremamente crítica vá aceitar no mercado de trabalho um jovem sem experiência, sem qualificação profissional, sem uma boa orientação, que não sabe ler, que não sabe fazer cálculos básicos? A gente tem que investir na educação, a gente tem que fomentar o primeiro emprego, tem que fazer qualificação profissional,
treinamentos, cursos profissionalizantes, têm que existir bancos de fomento à
educação.

Nas eleições do próximo ano, o Cidadania deve vir com candidato. O que vocês já têm definido?
O Cidadania é um partido que historicamente sempre manteve uma linha política, ideológica, de combate à desigualdade, e a gente nunca perdeu esses princípios. Para a eleição 2020 a gente está fazendo o estudo e levantamento de várias candidaturas no Estado como um todo, inclusive na capital.
Acho que a gente tem que fomentar, nesse momento de crise política, de conflito entre dois extremos, uma política alternativa, que possa não entrar nessa picuinha, nessa briga, e entender que o nosso grande aliado não é nem o A, nem o B, nem o da direita, nem o
da esquerda.
O nosso grande aliado é a sociedade. Então, a gente está, sim, enxergando, trabalhando, fomentando, discutindo, levando orientação política para os mais variados municípios do Pará, inclusive na capital, e a gente vai lançar várias candidaturas a prefeitos, vereadores, nessa próxima eleição de 2020, por acreditar que é muito importante a gente ocupar um espaço político para representar a sociedade paraense e brasileira.

Na capital vocês já decidiram se o partido vai ter candidato próprio?
Não, a gente ainda não tem a definição, não tem o martelo batido, mas a tendência é que
o Cidadania irá lançar, sim,pré-candidatura à Prefeitura de Belém. Vamos lançar as propostas e os ideais do partido, tudo aquilo que a gente tem discutido internamente e externamente, com as comunidades, do que a gente acredita que é melhor para a
nossa cidade.

O seu nome chegou a ser cogitado como possível candidato. O senhor tem essa intenção?
Fico muito feliz quando as pessoas colocam meu nome como uma alternativa, num
momento tão crítico da política nacional. Isso é a prova de que meu mandato tem sido
importante nessa discussão política. Nos momentos mais dramáticos e importantes na
política eu mantive a minha coerência, postura e ideais. Acho que essa demonstração, de todo esse tempo de mandato fez com que uma parcela da sociedade colocasse o meu nome como uma alternativa.
Mas, eu estou muito focado nesse momento em fazer um bom mandato. Se ele representar de maneira qualificada e a população de Belém achar que eu serei um bom representante, a gente vai avaliar, democraticamente, com nosso grupo, a possibilidade de se lançar uma pré-candidatura.

Então, o senhor não deu nenhuma resposta, mas admite a possibilidade de lá na
frente aceitar esse desafio?
A possibilidade existe porque, primeiro, todos nós participamos do processo político.
Segundo: qualquer cidadão nesse país tem o direito de disputar uma eleição. Terceiro ponto, a gente ainda não está no momento de pré-eleição. Quem antecipa essa pré candidatura são pessoas que querem o poder pelo poder e querem fomentar o seu nome
dentro da sociedade. Eu não estou na busca de lançar uma pré-candidatura.
Quando eu fizer um bom mandato, as pessoas vão reconhecer e certamente meu
nome vai ser cogitado. A gente tem que ir um pouco na contramão da lógica política implementada nesse país. Eu não posso ser candidato porque eu quero ser prefeito.
Eu tenho que ser candidato se a sociedade achar que eu tenha a capacidade. É o inverso.
Eu sou um deputado, até 2022 tenho a obrigação e recebo um salário muito bem pago
para trabalhar para a sociedade paraense.
Se eu for um bom político, um bom parlamentar, e as pessoas enxergarem em mim um
jovem político decente, ficha limpa, transparente, uma alternativa de lhe representar
na capital, ok, a gente vai discutir a possibilidade de tudo isso. Caso contrário, faltando um ano para a eleição, alguém se pré-lançar, certamente essa pessoa não está buscando o
bem social, está buscando um sonho de um partido, o sonho de um projeto pessoal, o sonho de um projeto político.

Na sua avaliação, quais são as principais necessidades hoje da capital?
Belém tem, no ano de 2019, uma receita de cerca de R$ 3,1 bilhões. Quando você divide
isso, por um milhão e meio de habitantes, por doze meses, vai dar algo em torno de R$170 por mês por habitante.
Você tira ainda 28% que são gastos com educação, passando 3% do que manda a lei, que
é 25%, você tem hoje 23% que é gasto em saúde pública.
Aí você tem um gasto expressivo de folha de pagamento dos funcionários efetivos e
comissionados, um gasto gigantesco de cerca de R$ 170 milhões por ano de coleta de
lixo. Em termos de investimentos em obras estruturantes sobra algo em torno de 5%.
É muito pouco.
Você vai ter que buscar o governo federal, aí pega um governo federal que nesses últimos anos esteve extremamente afundado em crise e contingenciamento constante, queda de receita, pegando um município que tem um milhão e meio de habitantes, enquanto tu tens
outros municípios do eixo Sul e Sudeste do Brasil que têm muito mais habitantes. Eles acabam, muitas das vezes, priorizando o eixo Sul e Sudeste e esquecendo que aqui existem brasileiros que contribuem muito para a sustentação do nosso País.
Eu acho que o projeto para Belém tem que ser constante na busca do aumento da arrecadação, na busca da efetivação de algumas políticas fundamentais, acho que essa discussão da distribuição da cota-parte do ICMS é fundamental.
Se a gente tiver uma harmonia de gestão, de combate aos gastos desnecessários, harmonia entre a classe política para trazer recurso para a cidade, ajudando, certamente
a gente vai ter um avanço na cidade de Belém.

E nesse sentido, como o senhor avalia a gestão do prefeito Zenaldo Coutinho?
O Zenaldo pegou uma prefeitura extremamente fragilizada, afundada em dívidas e com ausência de projetos. Para vocês terem noção, o BRT, que vai ser entregue agora, quando a
atual gestão assumiu, não tinha um projeto estruturante pronto e isso tudo
teve que ser refeito: elaborar projeto, fazer captação federal, garantir recurso, licitar, executar, e isso tem um tempo muito grande.
Ele pegou acho que uma herança maldita, numa queda de receita muito grande, numa fragilidade orçamentária muito grande para a cidade de Belém, mas ele precisa avançar em alguns pontos.
Está previsto, pelo que a gente tem visto, muitos investimentos, muitas entregas de obras pelo que eu acompanhei agora há pouco. Tem obras como o PSM do Guamá. Vão ser entregues, até o final da gestão, parece que cinco UPAs e três a quatro unidades básicas de saúde, ampliando a rede de saúde de maneira expressiva. Algumas escolas foram feitas e entregues, cerca de 17 escolas e quadras esportivas, ar-condicionado nas escolas municipais.
Mas Belém precisa de creche, precisa que as mães tenham oportunidade de deixar seu filho num ambiente educacional de qualidade, para ela buscar e poder trabalhar.
Acho que esse sistema do BRT é importante, mas a gente vai precisar, com urgência, enxergar outras formas de mobilidade urbana, porque só o BRT não resolve. A gente tem que ter outros mecanismos para fazer com que a mobilidade de Belém possa ser aprimorada.