AGÊNCIA BRASIL

Nem no pessimismo a esquerda acerta mais. O discurso apocalíptico sobre o pré-sal estar sendo vendido a preço de banana na bacia das almas deu com os burros n’água. Nesta quarta-feira (06), o silêncio imperou nas bolhas que há menos de 24 horas anunciavam que o petróleo brasileiro ia ser saqueado por multinacionais imperialistas. Que fiasco.

Tivesse ficado na miúda, a oposição poderia estar trollando o governo. De fato, a expectativa de Brasília se mostrou fora da realidade, mas não da forma que vinha sendo alardeada. Nossos campos de petróleo não foram subavaliados nem oferecidos de forma criminosa por antipatriotas que assaltaram a Petrobras.

O que se viu foi um leilão em que as regras afastaram os grandes investidores. Não era nenhuma mamata. Ao contrário, os valores pedidos foram considerados altos e as condições, desfavoráveis aos estrangeiros. Quem diria que a política de privatizações do ministro Paulo Guedes era tão, digamos, nacionalista?

O assumido fracasso com o megaleilão terá consequências, é óbvio. A equipe econômica não vai abdicar da estratégia de capitalizar o país por meio da venda de ativos – entre os quais continuam em destaque e petróleo e gás. Mas é razoável esperar por critérios menos rigorosos, capazes de atrair os capitalistas que não deram a cara desta vez.

Daqui para frente, vai ser um pouco mais difícil a vida dos que defendem empresas estatais como se fossem valiosos membros da família. Toma que o filho é teu.