Adriano Machado/Reuters - 12.10.2019

As manchas de óleo que atingem mais de 300 praias do Nordeste brasileiro desde o início do mês de setembro não devem afetar o megaleilão dos volumes excedentes do pré-sal, marcado para acontecer nesta quarta-feira (6). A expectativa da União é de que os ganhos superem os R$ 106 bilhões, caso todos os blocos ofertados recebam propostas.

No meio de setembro, o presidente Jair Bolsonaro questionou se o vazamento de óleo não poderia ter sido cometido intencionalmente com a intenção de prejudicar o megaleilão. A possibilidade, no entanto, é descartada pelo diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Décio Oddone.

“São eventos independentes, que não têm nenhuma relação com a produção de petróleo no Brasil. As origens e as causas ainda estão sendo investigadas e eu não vejo relação direta das manchas com o nosso leilão”, avalia Oddone.

Para o sócio da KPMG da área de Energia e Recursos Naturais, Anderson Dutra, o vazamento de óleo no litoral do Nordeste foi um acidente e não irá influenciar as participações no leilão. “As empresas vão continuar firmes e fortes, independentemente do acidente, porque o ocorrido não envolve nenhuma companhia que opera com o pré-sal brasileiro”, garante ele.

Petrobras entra como favorita no megaleilão do pré-sal
Petrobras entra como favorita no megaleilão do pré-sal Ricardo Borges/Folhapress – 7.9.2018

Caso as expectativas sejam confirmadas, o megaleilão das quatro áreas do pré-sal será o maior da história brasileira. Como a Petrobras já manifestou interesse em utilizar o direito de preferência pelas áreas de Búzios e Itapu, Oddone diz que o sucesso do leilão está garantido.

“As duas áreas que a Petrobras escolheu representam R$ 70 bilhões, que já é mais do que todas as licitações já feitas pela ANP desde 1999 e o dobro do que foi arrecadado no mundo desde 2016”, destaca o diretor-geral da ANP.

Dutra afirma que as parcerias estratégicas devem tornar o megaleilão bem-sucedido, apesar da possibilidade de não haver compradores para os blocos de Sépia e Atapu após a britânica BP e a francesa Total desistirem de participar do certame. “Quando a gente analisa o conjunto da obra, tende a ser um grande sucesso”, observa o sócio da KPMG.

Produção

Ao analisar o potencial do leilão, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, prevê duplicar a capacidade de produção de barris de petróleo, atualmente na casa dos 3 milhões por dia, até 2030.