Isac Nóbrega/PR
A ausência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou a entrega da agenda econômica pelo presidente Bolsonaro ao Congresso Nacional. Maia estava no Congresso com o presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) antes da chegada de Bolsonaro, mas deixou o gabinete de Alcolumbre assim que Bolsonaro chegou acompanhado dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

A presença de Maia à entrega, que tem a força do simbolismo pela ida do presidente da República à sede do legislativo, já era dúvida desde segunda-feira (4), após entrevista publicada pelo Jornal Folha de S. Paulo com o ministro Paulo Guedes antecipando as medidas do pacote, ou agenda econômica como o ministro preferiu chamar.

Maia deixou claro a interlocutores e mandou recados em entrevistas ao longo do dia ao Executivo. Como antecipado ontem, o presidente da Câmara considerou desrespeitoso o tom do ministro ao criticar a criação de fundos públicos, que pretende extinguir. Maia também não gostou de ser atropelado pela prioridade dada ao governo a alguns assuntos. O responsável por pautar as votações é o presidente da Câmara.

A politica é feita de gestos, e o gesto da saída do presidente da Câmara da entrega da agenda prioritária do governo é um mal sinal. Maia tem sido um aliado do Executivo na pauta econômica e o não alinhamento entre os presidentes do Poderes pode atrasar ou até mesmo inviabilizar as votações da agenda.