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A Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), está dando continuidade ao projeto “Bem na Praça”, que é desenvolvido em convênio com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe). O projeto pretende deixar as praças e canteiros centrais da cidade mais bonitas e bem cuidadas, além de empregar o caráter humanístico, que visa à reinserção do detendo à sociedade.

O projeto “Bem na Praça” foi criado em 2014. Atualmente, são 50 internos do sistema penitenciário, com 30 detentos que ficam com a parte de roçagem, e 20 detentas que atuam na manutenção dos logradouros e no paisagismo das praças. “Estamos colhendo frutos muito bons, pois é uma oportunidade que o detento tem para se profissionalizar e poder cumprir sua pena, já com uma profissão. Aqui, tivemos muitos casos positivos, de pessoas que saíram e conseguiram reestruturar as suas vidas fora do crime”, destacou Cleydson Pinheiro, chefe da Divisão de Manutenção de Áreas Verdes Públicas da Semma.

A ação do projeto também é importante para a manutenção dos logradouros da capital paraense, pois com essa mão de obra, muitas outras praças são alcançadas, beneficiando todo o paisagismo e preservação das áreas verdes da cidade.

Recomeçar é o almejava Carlos Augusto Ferreira de Souza, de 35 anos, ex-detento e, atualmente, servidor público. “Eu tive uma segunda chance, uma oportunidade, pois vim do regime semiaberto. A Semma me deu uma oportunidade, e na verdade, acho que foi a primeira oportunidade que eu tive. Durante o tempo em que eu trabalho no projeto, aprendi muitas coisas. Quando os trabalhadores da Semma estavam cansados eu pegava a máquina e ia roçando devagar, fui aprendendo e hoje estou aqui com eles”, contou.

Requisitos 

Para participar, o detento precisa cumprir uma série de requisitos que são fundamentais. Dentre eles está o comportamento e a progressão da pena, com o objetivo de ser positivo para aprendizado da pessoa, servindo de esperança para um recomeço com a sociedade.

Todos que fazem parte do projeto “Bem na Praça” passam por um treinamento para que consigam operar as máquinas, junto com alguns cursos sobre proteção no trabalho, além de receberem um salário mínimo por mês, enquanto fazem parte do projeto. Metade do salário fica com o detento e a outra metade é depositada em uma conta poupança, para que quando ele for solto, consiga reestabelecer a sua vida.

Para Kely Hávila do Carmo Pedreira, de 37 anos, que está cumprindo pena, estar ciente sobre educação, trabalho, respeito e dignidade pode mudar a vida de pessoas, principalmente, aquelas que precisam de oportunidades, ou até mesmo, uma segunda chance. “É uma ótima oportunidade para gente. Antes, eu não tinha conhecimento de paisagismo e sobre como lidar com as plantas, e hoje eu já tenho, por causa do projeto. Depois de todo esse aprendizado, eu quero seguir com a minha vida, daqui pra frente”, constatou.